Os 10 primeiros estabelecimentos de restauração implantados na Avenida dos Aliados e arruamentos adjacentes que requeiram a instalação de esplanadas vão contar com uma comparticipação de 10%, da Câmara do Porto, na aquisição do mobiliário necessário. Por outro lado, todas as esplanadas colocadas na mesma área beneficiarão da isenção da taxa de ocupação do domínio público, em 2006 e 2007. A proposta, do presidente da autarquia, Rui Rio, vai à próxima reunião do Executivo, que se realiza terça-feira.
No entanto, o mobiliário urbano das esplanadas terá de seguir o modelo determinado pela Direcção Municipal do Urbanismo. "Os guarda-sóis têm de ser em pano-cru e as cadeiras serão em material sintético, a imitar palhinha", esclareceu António Oliveira, da cervejaria Sá Reis, que já recebeu a missiva da Câmara.
"Já fiz as contas e vou precisar de sete mil euros para mudar a esplanada", referiu o comerciante, pouco entusiasmado com os incentivos da autarquia "Também vamos gastar muito dinheiro, não nos estão a dar nada."
Instalado há 25 anos nos Aliados, António Oliveira também não encontra motivos para elogiar a requalificação da Avenida. "Gostava mais de como estava. Agora, só se vê pedra.Mas puseram assim, temos de aguentar", comentou, conformado.
"É uma questão de hábito. A praça está mais ampla e mais airosa. Quando as árvores crescerem, ficará ainda mais agradável", contrapôs Eduardo Marques, engraxador.
Uma das principais novidades na renovada Avenida dos Aliados, segundo o traço de Álvaro Siza Vieira, é a fonte colocada em frente aos Paços do Concelho. Ontem à tarde, dezenas de pessoas continuavam a concentrar-se em redor do lago, comentando a intervenção. A "fava" saiu mesmo a Joaquim Ribeiro, funcionário do empreiteiro responsável pela obra, que limpava a água e a fonte, envergando apenas uns "boxers" e de vassoura em punho. "Tem muitas folhas e pontas de cigarro", explicou, bem disposto, o operário.
Quiosque origina queixa
"Para quem gosta de cinzento, ficou muito bonito", ironizou, sorridente, Carlos Matos, responsável de um stand de automóveis. "Penso que a Avenida perdeu um bocado, parece um deserto. Ao meno, a fonte é boa para os putos tomarem banho", acrescentou.
Há muitas décadas que Carlos Matos trabalha na Avenida dos Aliados e ainda se lembra de quando a estrada era "em terra". "Já vi muitas mudanças, mas os canteiros ficavam sempre na placa central", assinalou.
"Não gosto. E há situações que constituem uma verdadeira aberração, como colocar um quiosque em frente ao outro", queixou-se, por sua vez, Lurdes Baptista. Com uma banca de venda de jornais nos Aliados, junto da esquina com a Rua dos Clérigos, a comerciante viu nascer, a poucos metros, no passeio, um outro quiosque. "Já escrevemos à Câmara a dar conta do problema, mas não obtivemos resposta", referiu Lurdes Baptista, alertando que, "no Inverno, sem as esplanadas, a Avenida será uma tristeza".
A nova Avenida dos Aliados espera acolher, hoje e amanhã, as primeiras enchentes, com as comemorações do Dia de Portugal, que contarão com a presença do presidente da República, Cavaco Silva. Amanhã, a partir das 14.30 horas, há um concerto de Rui Veloso.