O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano face a igual período de 2005. Esta recuperação da economia portuguesa - divulgada ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) - deve-se principalmente ao forte aumento das exportações, que subiram 7,2%, se bem que assente também no consumo privado. Apesar de positivos, os números suscitaram reacções diversas e cautelosas (ver ao lado).
Aguardadas com expectativa, as Contas Nacionais Trimestrais do INE vieram mostrar que a procura externa líquida (ou seja as exportações líquidas das importações) contribuiu positivamente, em cerca de 1,0 pontos percentuais, para o crescimento da nossa economia. Tudo porque as exportações dispararam 7,2% em termos homólogos (enquanto as importações subiram 3%), impulsionadas pelos produtos químicos e metálicos e aparelhos de rádio, televisão e comunicações.
Entre os serviços produzidos em Portugal com maior procura por parte de outros mercados destacaram-se os de arquitectura, engenharia e consultoria técnica. Na informação libertada, o INE ressalva, no entanto, que a aceleração das exportações e das importações poderá ter sido influenciada pelo facto de este primeiro trimestre de 2006 ter tido mais dois dias úteis do que o homólogo de 2005.
Mais do que o crescimento em si, o factor mais relevante dos dados do INE é o de esta recuperação estar a fazer-se de forma saudável e consistente, pois baseia-se sobretudo nas exportações e não tanto no consumo (e endividamento) das famílias, como aconteceu no passado. Tudo isto indica ainda que as empresas portuguesas estão a conseguir vender mais no exterior, aproveitando assim a retoma da economia mundial e dos países que mais compram a Portugal, como a Alemanha.
Mas a performance das exportações face às importações não foi, ainda assim, suficiente para impedir o agravamento do saldo da balança de bens e serviços, ficando este a dever-se ao elevado preço que o petróleo atingiu nos primeiros três meses do ano.
Apesar de ter desacelerado face ao último trimestre de 2005, o consumo das famílias manteve-se, ainda assim, com um padrão de evolução positivo (com uma subida homóloga de 0,8%) e a contribuir também para a recuperação da economia.
Já o investimento continuou a não cumprir o seu "papel" de motor de crescimento do PIB, ao manter-se em queda. Os dados do INE revelam que esta rubrica se mantém em terreno negativo (caiu 2,7% em termos homólogos), apesar de até ter registado um desagravamento face aos três últimos meses de 2005.
O crescimento de 1% do PIB (contra 0,8% no final de 2005) vem confirmar a orientação das Previsões da Primavera da Comissão Europeia, que recentemente as reviu em alta, bem como as do Governo. Contudo, mesmo que este ritmo se mantenha não será suficiente para colocar Portugal a convergir com a média da União Europeia.
Ontem foi também dia de o INE divulgar as estatísticas dos comércios extracomunitário e internacional, cujos resultados mostram que tanto num como noutro, as taxas de crescimento das exportações foram superiores às das importações, sendo que nestas assume especial relevo o grupo dos combustíveis.