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Bandeira do rock junta emigantes

Cristiano Pereira, em Paris

"Dabliu dabliu dabliu, je parle portugais, ponto com", anuncia Pac Man ao microfone. À sua frente, cinco mil emigrantes e lusodescendentes agitam bandeiras verdes e vermelhas e aplaudem o moreno de tranças rastas "A nossa língua é o nosso maior tesouro". É dia de Portugal e em Paris junta-se a comunidade lusa para um festival -"Festival Caixa", oferecido aos emigrantes pela Caixa Geral de Depósitos - com três das mais bem sucedidas bandas portuguesas: Clã, Da Weasel e Xutos & Pontapés. Inserido no Parc de La Villette, não muito longe do cemitério onde repousa Jim Morrison, o Zénith é uma sala de visibilidade excelente e acústica perfeita. Nas bancadas transpira-se; lá em baixo, em pé, dança-se o hip-hop/rock dos Da Weasel. Minutos antes, os Clã já tinham acendido o rastilho de uma folia incandescente.

Ferro Rodrigues é "cool"

"Tá-se cool e tá-se bem/ Entrega-te ao meu som é agora o que convém", prossegue Pac Man, profetizando, minutos depois, "15 golos contra Angola". Os Da Weasel metem o pé no acelerador e debitam um punk hardcore em excesso de velocidade. Nas bancadas, a assistência mais velha parece estupefacta com a demolição sonora. Por entre as hipnóticas luzes pisca-pisca do 'strob', vislumbra-se um rosto familiar Ferro Rodrigues.

"Eu gostei", disse o socialista ao JN, já depois dos Da Weasel saírem de cena. "Sobretudo supreendeu-me a adesão dos jovens lusodescendentes que sabem as letras", acrescentou, considerando que "são músicas muitos intensivas". Enquanto se abeira do balcão de petiscos nos bastidores, Ferro Rodrigues promete "Vou ficar para os Xutos". E assevera: "São do meu tempo".

'Bière Speciale'

É intervalo e a malta aguarda a aparição dos Xutos & Pontapés. O povo espalha-se pelos corredores e tenta curar a desidratação no bar. Em todos eles se exibe uma cartaz "Bière Speciale Portugaise: Super Bock!". Ninguém hesita, apesar do preço assustador: 4 euros a lata. Mas há um problema maior: não estão frescas. "Toquei numa lata e quase me queimei!", assegura-nos, impressionado, um jornalista da RTP. Os Xutos sobem ao palco.

"Eu cá sou bom, sou muito bom, sou sempre a abrir!", canta o vocalista Tim, enquanto que Zé Pedro, a seu lado, demonstra por que é o guitarrista mais estiloso do rock tuga, movendo-se qual Slash de Campo de Ourique, a lançar sorrisos contagiantes à assistência. Nota-se que é o preferido do povo e sente-se que a multidão está ainda mais solta.

Firme e hirto...

Entretanto, às portas de um dos bares há um grande corrupio Pac Man, que abandonara o 'backstage' para se misturar com a plebe, está literalmente rodeado de fãs, afogado em mãos e autógrafos. Todos berram, mas há quem lhe segrede ao ouvido, nomeadamente uma ruiva escultural de minissaia de ganga, com 1,78 metros e, segundo cálculos do JN, 61 quilos. Pac Man aceitar ser fotografado, sorri, é simpático, disponível, mas quando a ruiva volta à carga, minutos depois, ele mantém-se firme - e provavelmente hirto.

Lá dentro, os Xutos metem toda a gente a cantar os 'hits' e até Ferro Rodrigues acompanha os 'riffs' das guitarradas com abanões afirmativos da cabeça. O concerto acaba em apoteose com uma sequência de hinos. É quase meia-noite, no céu, lá fora, ergue-se uma lua cheia e o baterista Kalu, encharcado em suor, desce as escadas do palco. João Nobre, o baixista dos Da Weasel, abraça-o, dá-lhe os parabéns pela pujança do concerto e pergunta-lhe "Como é que ainda consegues estar vivo, carago?".

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