Israel aumenta pressão
Augusto Correia
As testemunhas relatam o avanço dos tanques israelitas para o antigo colonato de Elei Sinai, na Faixa de Gaza. O exército não se pronunciou sobre este alegado movimento, mas ao cair da noite na região pareciam confirmar-se as ordens de alargar do primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, para alargar a ofensiva militar iniciada após o sequestro do soldado Gilad Shalit.
"Tendo em conta o rapto e a continuação dos ataques, incluindo o de Ashkelon, mudam as regras do jogo para lidar com a Autoridade Palestiniana e o Hamas", diz o comunicado do gabinete de Olmert. O último ataque trouxe para a linha da frente do terrorismo os 115 mil habitantes daquela cidade costeira, até agora a salvo. Os novos foguetes palestinianos, com dois propulsores, têm um raio de acção de pelo menos 12 quilómetros, levando o terror para lá das zonas fronteiriças.
Em resposta, os tanques israelitas entraram para os antigos colonatos. Um responsável de Beit Hanou disse que as forças israelitas tomaram algumas casas nesta cidade palestiniana. Um movimento que configura a criação de um perímetro de segurança, como solução para evitar que os rockets atinjam cidades como Ashkelon. Mais, pode significar a reocupação de partes da Faixa de Gaza, intenção que o Exército de Israel tem negado.
Para já, a estratégia falhou. Ontem, os palestinianos lançaram outro rockete contra Ashkelon, sem causar vítimas. Milicianos do Hamas, que reclamaram a autoria dos ataques, envolveram-se em trocas de tiros com israelitas e dizem que atingiram um tanque e um bulldozer. A intervenção israelita mantém-se no Sul vai estender-se à Cisjordânia. "Instituições e infra-estruturas que facilitem o terrorismo" são os alvos determinados no documento do gabinete do primeiro ministro que ordena a intensificação da operação "Chuva de Verão".
A acção militar está a "complicar grandemente" a aplicação do mecanismo de apoio financeiro para minorar a crise económica decorrente do corte das ajudas directas dos EUA e da União Europeia (UE). "Agora, mais do que nunca, o mecanismo tem de avançar, para fazer face às necessidades básicas dos palestinianos", observou Benita Ferrero-Waldner, comissária europeia das Relações Externas da UE.
A ofensiva de Israel "viola as normas mais fundamentais das leis humanitárias e dos direitos humanos", acusou o enviado especial da ONU a Gaza. Jonh Dugard diz que Israel recorreu ao "uso desproporcional de força contra civis" e referiu o "sofrimento desnecessários causado às populações" pela destruição da principal central eléctrica.
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