"Nunca sentimos qualquer pressão"
Nuno Silva
Seis jornais regionais de Gaia manifestaram, ontem, discordância com a revogação, por parte da Câmara, dos protocolos de distribuição de publicidade institucional assinados no início do ano. A decisão foi formalizada por despacho, na passada sexta-feira, na sequência da polémica que se instalou, em que foram levantadas questões sobre a liberdade de informação - os protocolos estabeleciam, como contrapartida da distribuição dos anúncios, que os periódicos cobrissem "adequadamente" os actos públicos e actividades da autarquia e das suas empresas municipais.
"Nunca sentimos qualquer tipo de pressão no caso de, por questões de agenda, não estarmos presentes nestes eventos e entendemos que as coberturas das actividades da Câmara se reportam a todos os partidos que legitimamente o povo elegeu", refere um comunicado conjunto dos seis jornais, lido por Filipe Bastos, director do semanário O Gaiense. Além daquele periódico, a posição foi subscrita pelos Jornal de Gaia, Notícias de Gaia, Voz de Gaia, Valadares e a Cidade em Foco e Audiência. De fora ficou o Comércio de Gaia, por motivo de doença da sua directora, segundo justificou fonte daquele jornal.
Os seis jornais regionais compreendem as "razões políticas invocadas", mas não aceitam a revogação dos protocolos, porque os mesmo funcionavam como "regras" para fazer face à "discriminação existente", nos últimos quatro anos, na distribuição da publicidade institucional pelos jornais do concelho.
"Perante as notícias vindas a terreiro e que colocam em causa a liberdade de informação dos jornais de Gaia, resta-nos dizer que são totalmente falsas", sublinhou Filipe Bastos, acompanhado de Paulo Sousa, membro da direcção da União Portuguesa da Imprensa Regional e director do Notícias de Gaia. Os responsáveis pelos seis jornais esperam agora que se encontre uma "plataforma de entendimento" com a autarquia e garantem que desenvolverão todos os esforços no sentido de lançar o debate na opinião pública, requerendo junto da Entidade Reguladora da Comunicação Social "a legalidade deste tipo de parcerias institucionais".
Contactada pelo JN, fonte oficial da Câmara de Gaia limitou-se a confirmar a revogação por despacho de Menezes e que a questão será levada à próxima reunião do Executivo.
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