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Médicos vão ter formação para aprender a lavar as mãos

O Ministério da Saúde elaborou um programa para prevenir as infecções hospitalares que contempla, entre outras medidas, acções de formação para ensinar os médicos a lavar correctamente as mãos. A necessidade justifica-se pelo facto de oito em cada cem doentes internados contrair uma infecção que, em 30 a 40% dos casos, é transmitida pelas mãos dos profissionais de saúde.

De acordo com a proposta do Programa Nacional de Prevenção e Controlo das Infecções Relacionadas com os Cuidados de Saúde, da Direcção-Geral de Saúde - em discussão pública desde ontem -, 8% dos utentes em hospitais portugueses são vítimas de infecção. Designadas infecções relacionadas com os cuidados de saúde (IRCS), constituem uma "das principais causas de morte em todo o Mundo", de acordo com o documento.

Em Portugal, "identificou-se a prevalência da IRCS de 8,4% dos doentes e uma prevalência de 22,7% de doentes com infecção adquirida na comunidade", segundo o último inquérito nacional, realizado em 2003, e que envolveu 67 hospitais e 16.373 doentes. Números que não diferem muito dos dados recolhidos noutros países. O último inquérito, conduzido em 2005 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 55 hospitais de 14 países, concluiu que 8,7% dos doentes internados têm possibilidade de adquirir uma infecção relacionada com os cuidados de saúde. Nos países europeus, a prevalência oscila entre os 5 e os 10%.

As mãos dos profissionais de saúde são o veículo de transmissão em 30 a 40% das infecções resultantes da colonização e infecção cruzada, de acordo com o programa agora divulgado. Estudos recentes, da responsabilidade da OMS, referem que 50 a 60% dos médicos e enfermeiros, em todo o Mundo, não lavam nem desinfectam as mãos quando tratam dos doentes.

Neste quadro, a correcta higienização das mãos dos profissionais que contactam directamente com os doentes assume-se como prioridade. O Programa Nacional de Prevenção e Controlo das Infecções Relacionadas com os Cuidados de Saúde assume como um dos objectivos, a concretizar até 2007, a formação em lavagem de mãos, técnica asséptica e microrganismos multi-resistentes a 90% dos profissionais de saúde que prestam directamente cuidados aos doentes. Outra das medidas é a utilização de soluções de base alcoólica para desinfecção das mãos em 70% dos serviços das unidades de saúde.

Para Carlos Arroz, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, ensinar os médicos a lavar as mãos é importante, mas fundamental seria investir numa reforma profunda das instalações das unidades de saúde e em políticas que retirassem os doentes dos corredores das urgências e diminuíssem a lotação das enfermarias.

A maioria dos locais de consulta e das enfermarias não dispõe de lavatórios onde os profissionais de saúde possam lavar as mãos, sublinha o dirigente sindical, acrescentando que qualquer plano de prevenção de infecções deveria suprir às carências estruturais dos hospitais e garantir que não se poupe em áreas como a ventilação e a manutenção dos parâmetros de qualidade ambiental nas enfermarias, blocos operatórios e demais espaços.

Uma em cada três infecções pode ser evitada com uma "actuação nacional planeada e bem estruturada", de acordo com o programa, que estabelece como meta a redução da incidência em 5% deste tipo de infecções, em 30% das unidades do Serviço Nacional de Saúde até 2011.

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