A Seiva Trupe, há dez anos companhia residente do Teatro Campo Alegre, no Porto - tem contrato até 2014 -,"está absolutamente disponível para receber naquele espaço todos os grupos independentes da cidade que ali queiram ensaiar ou apresentar os seus espectáculos, desde que isso não interfira com o calendário da nossa programação", assegurou ontem, António Reis, director da companhia.
"Por ano, nunca ocupamos mais de 30% das salas - o Teatro tem três salas -, o que significa que cerca de 70% fica sempre livre. As companhias não recorrem mais ao Campo Alegre porque o aluguer é extremamente dispendioso. Eu próprio, enquanto fui director do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), abdiquei daquele lugar porque a Câmara, em 2002, exigiu, pelo aluguer da sala principal, o pagamento diário de 1250 euros acrescidos de IVA, o que é incomportável", esclareceu.
A justificação surge na sequência do anúncio feito anteontem por Rui Rio. O autarca manifestou a intenção de transferir o apoio logístico dado às companhias de teatro independente para o Campo Alegre, uma vez que já não o poderá fazer no Rivoli, que será brevemente adjudicado a uma entidade privada. "Tentaremos esmagar, ao máximo, o tempo que a Seiva Trupe ocupa no Campo Alegre e transferir esse apoio para lá", sublinhou Rui Rio.
O argumento do presidente da Câmara, no entanto, parece não fazer muito sentido para António Reis, que considera "a acusação da ocupação excessiva do espaço absolutamente injusta. Até parece que, de forma ofensiva, está a pedir-nos para trabalharmos menos", ironizou o actor, acrescentando que essa questão é "uma falácia".
"Sempre fomos completamente contra o aspecto comercial do aluguer de espaço imposto por esta autarquia. O mínimo que ela deve fazer é conceder às companhias as mesmas condições que concedia anteriormente no Rivoli, ou seja, de cedência de sala gratuita. Se houver essa vontade política, a Seiva Trupe não se oporá nem terá que abdicar do seu próprio trabalho, porque cabemos todos no Campo Alegre", afirma.
Entretanto, João Paulo Costa, que ontem afirmou que a decisão da Câmara é um "duro golpe para as companhias", não pertence ao Teatro Ensemble, como foi escrito, mas à direcção artística do Teatro do Bolhão. HTS