Bispo veta rampa para deficientes
O presidente da República, Cavaco Silva, inaugura hoje uma obra, em Pombal, que não dispõe de rampa de acesso para deficientes motores, porque o bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, não autorizou a sua construção.
O JN não conseguiu ouvir o bispo, mas Leal Pedrosa, vigário- geral da Diocese de Coimbra e presidente da respectiva Comissão de Arte Sacra, confirmou que foi D. Albino Cleto quem "assumiu a decisão" de impedir a construção de uma rampa na entrada da igreja matriz de Pombal.
A decisão é recente e foi tomada já no decurso das obras de requalificação da Praça Marquês de Pombal, um projecto assinado por Reis Figueiredo. O arquitecto não apreciou a "intromissão", num projecto que, garante, "estava bem pensado". A vontade do bispo, no entanto, foi soberana.
A Diocese de Coimbra não gostou do projecto, que tinha luz verde da Câmara de Pombal, e obrigou o autor a alterá-lo. Primeiro, exigiu que o projectista rebaixasse uma plataforma que ficava ao nível da soleira da porta principal da Igreja. Depois desse rebaixamento, impediu a construção de uma rampa. Para o presidente da Comissão de Arte Sacra, a plataforma "abafava e prejudicava a visibilidade da igreja". Já a rampa "ficava mal", acrescenta.
Ainda na perspectiva do vigário Leal Pedrosa, também não tinha sentido "fazer uma obra só por uma vez ou outra em que entra um deficiente na igreja". Para mais, reforça Leal Pedrosa, o templo possui uma porta lateral que, segundo lhe terá garantido o pároco local, Diamantino Vieira, serve bem os deficientes.
Esta não é a opinião de Reis Figueiredo. O arquitecto sustenta que, além do problema do desnível, esse acesso lateral não oferece largura adequada a quem se desloca de cadeira de rodas.
Nelson Morais
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