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Mãe da bebé de Guimarães nega maus-tratos e exige desculpas

Liliana Costa

A mãe da bebé queimada com pontas de cigarro e um ferro de engomar, alegadamente por um familiar, nega que a filha tenha sido vítima de maus-tratos, justificando as lesões na pele encontradas pelos médicos na passada quinta-feira, com a acção de uma bactéria, exigindo um esclarecimento e um pedido de desculpas por parte do Hospital de Guimarães, onde a criança foi observada.

Recorde-se que a menina, que completa este mês três anos, foi conduzida ao Hospital Senhora da Oliveira pela educadora do infantário que frequenta, depois de esta se ter apercebido de umas manchas nos membros inferiores da criança. No Serviço de Pediatria daquele hospital, o clínico que a observou relatou a existência de "lesões compatíveis com queimaduras provocadas por pontas de cigarro e um ferro de engomar", participando o caso às autoridades.

"Quando cheguei ao Hospital na quinta-feira fui informada que a minha filha era vítima de maus-tratos, por causa de umas manchas que realmente pareciam queimadelas", recordou a mãe, de 28 anos, ao JN, revelando que foi "mal recebida" na unidade hospitalar. Depois de ter estado internada, a bebé teve alta e foi entregue aos padrinhos, por decisão da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Guimarães.

No domingo seguinte, porém, a bebé desenvolveu mais manchas, tendo a madrinha, acompanhada da mãe, levado de novo a criança ao hospital. "A médica que a recebeu disse que era um vírus ou uma alergia, mas aconselhou que a menina fosse vista por um dermatologista", garante. Tal terá acontecido no dia seguinte, à tarde, quando "dois dermatologistas confirmaram uma bactéria que podia ter apanhado no infantário, na piscina ou no contacto com um animal", afiançou a mãe, adiantando que "a bebé foi medicada e já está muito melhor".

A mãe diz que se apercebeu - faz hoje (ontem) 15 dias - de umas manchas na coxa e nádega direitas, mas preferiu aguardar antes de a levar ao médico. "Ela disse que tinha um dói-dói e eu tratei as feridas com betadine e uma pomada cicatrizante".

Indignada com a situação, a jovem exige agora um pedido de desculpas por parte da direcção do hospital. "Do mesmo modo que nos acusou, o hospital tem que vir a público dizer a verdade", reivindica.

A mãe da criança está empregada e vive com a filha num apartamento do centro da cidade. "Estou a separar-me do pai da minha filha desde os seus seis meses e ela passa os fins-de-semana entre a casa do meus pais e a dos meus sogros. Apontaram o dedo à minha sogra, mas tenho plena confiança nela", acrescenta.

O director clínico do Hospital Senhora da Oliveira, Fausto Fernandes, reafirma o diagnóstico efectuado à menina no dia em que chegou àquela unidade hospitalar pela mão da educadora de infância.

"O médico descreveu as lesões e apontou como hipótese terem sido provocadas por terceiros, não o afirmou.

Com base nisso alertou a assistente social que, por sua vez, alertou as estruturas adequadas que tomaram as decisões que bem entenderam", reiterou Fausto Fernandes.

O clínico confirmou que a bebé foi novamente observada pelo hospital nos dias posteriores à data de entrada no serviço de urgência, "e vai continuar a ser porque é função do hospital acompanhar o estado clínico dos doentes, quer ao nível do internamento, quer ao nível de consultas de ambulatório", desconhecendo, contudo, o diagnóstico efectuado nas consultas mais recentes.

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