Alunos com dificuldade em seguir raciocínio de docentes
Oito em cada dez alunos com insucesso escolar dizem ter dificuldades em seguir raciocínios e métodos de ensino dos professores, apesar da grande maioria daqueles estudantes apresentar níveis normais de capacidade de aprendizagem.
Segundo estudos do Instituto da Inteligência realizados entre Maio de 2004 e Maio de 2006, citados pela Lusa, 70% dos 400 alunos interrogados preferem apostar na memorização tendo em vista os testes de avaliação, alegando que não têm tempo para raciocinar sobre novas aprendizagens.
"Os testes escolares acabam por avaliar aquilo que os alunos foram capazes de memorizar para as provas e não o que, na verdade, conseguiram aprender", concluiu o Instituto da Inteligência.
Sujeitos a provas de avaliação neuropsicológica e de desempenho cognitivo (percepção, atenção, memória e destreza mental), 77,3% dos 400 alunos apresentaram capacidades de aprendizagem normais, 12,1% acima da média e apenas 10,6% dos estudantes apresentaram aprendizagem abaixo do normal.
Na opinião de Nelson Lima, neuropsicólogo e investigador do Instituto da Inteligência, "o insucesso escolar entre o 1º e o 3º ciclos nem sempre está relacionado com a capacidade de aprendizagem dos alunos, mas sim com os métodos de ensino".
Assim, 89% dos alunos, entre os oito e os 14 anos, com dificuldades de aprendizagem dizem-se "completamente perdidos" no que toca a métodos de aprendizagem, pois "ninguém lhes ensina nada".
Professores sem tempo
Por sua vez, os professores (82% de uma amostra de 250) afirmam não "ter tempo" ou não estar preparados para ensinar métodos de estudo aos alunos.
"Precisamos urgentemente de uma escola menos dogmática e burocrática e de um ensino mais compatível com o cérebro, de forma a incentivar o pensamento criativo e a inteligência dos alunos, em vez de se satisfazer com aprendizagens apressadas e fragmentadas, feitas à custa da capacidade de memorização dos alunos", concluiu o documento.
Método de ensino em causa
Instados a esclarecerem melhor o problema da compreensão das matérias, os alunos apontaram, entre outras, "dificuldades na descodificação do discurso dos professores" (94%), "ausência de métodos de estudo" (98%) e "dificuldade em gerirem os tempos de estudo necessários a cada disciplina" (57%).
"A dificuldade de descodificação não resulta apenas de défices linguísticos ou de falta de atenção dos alunos. Surge mais como uma deficiência dos métodos de ensino, que resultam de um modelo educativo que não é compatível com o processamento de informação do cérebro da grande maioria dos alunos", acrescenta o investigador, citado pela Lusa.
Ainda na opinião de Nelson Lima, o insucesso escolar é um problema que está "para continuar" e que terá tendência para se agravar, já que não se vislumbram medidas de fundo que resolvam os verdadeiros problemas do sistema.
70
por cento
dos alunos inquiridos preferem memorizar para os testes de avaliação a racicionar sobre novas aprendizagens
89
por cento
dos estudantes, entre os oito e os 14 anos, com dificuldade de aprendizagem, dizem estar "completamente perdidos", pois "ninguém lhe ensina nada"
94
por cento
dos alunos citados no estudo dizem ter "difculdades na descodificação dos discurso dos professores
98
cento
dos jovens alunos com insucesso inquiridos afirmam revelar "dificuldade em gerir os tempos de estudo necessários a cada disciplina"