OHezbollah aceita o envio da Força Interina das Nações Unidas (FINUL) para o Sul do Líbano, está a negociar com Israel, através de mediação libanesa, a troca de prisioneiros e diz lamentar o sequestro de dois soldados israelitas em Julho passado que levou à resposta militar devastadora do Estado judaico, declarou ontem o líder daquele grupo radical xiita, Hassan Nasrallah.
"Não há qualquer problema com a FINUL, desde que sua missão não se oriente para o desarmamento do Hezbollah", disse Nasrallah durante uma entrevista ao canal de televisão libanês NTV. Apesar de recusar o desarmamento da milícia xiita, Nasrallah acrescentou que, no caso de as tropas do Exército libanês no Sul do país encontrarem milicianos armados, as forças nacionais terão o direito de confiscar as armas.
Na mesma entrevista, o líder do Hezbollah revelou que a milícia xiita está a negociar com Israel a troca de prisioneiros "As negociações para a troca de um preso começaram recentemente", garantiu, afirmando que o porta-voz do Parlamento libanês, Nabih Berri, estava a actuar como intermediário do Hezbollah nas negociações, com a Itália e as Nações Unidas interessadas em se envolverem nas conversações.
O líder do Hezbollah lamentou ainda o sequestro de dois militares israelitas a 12 de Julho, declarando que se soubesse que redundaria numa "guerra de tal amplitude", não teria capturado os soldados. "Se soubéssemos que o sequestro dos soldados nos levaria a isto, definitivamente não o teríamos feito", sublinhou.
Os dois soldados foram capturados durante uma incursão do Hezbollah no território israelita. Na mesma acção, morreram oito combatentes. O sequestrou deu início à ofensiva aérea israelita que, em 34 dias, matou 1278 libaneses, a maioria civis, e fez 4054 feridos, de acordo com a AFP. Pelo menos 160 israelitas, a maioria militares, também morreram durante o conflito.
Para Nasrallah, está agora claro que nenhuma das duas partes "busca uma segunda vaga" de confrontos. Nasrallah concedeu a entrevista na véspera da visita a Beirute do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que pretende debater com os líderes libaneses a mobilização de cerca 15 mil soldados da ONU no Sul do Líbano, bem como questões relativas à segurança.
Além do chefe das operações de manutenção da paz da ONU, Jean-Marie Ghuehenno, Annan far-se-á acompanhar pelo enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Terje Roed Larsen, que Nasrallah acusou de "servir claramente a Israel", comentando não saber "se os israelitas pediram ao funcionário da ONU que viesse ao Líbano para assustar os libaneses".
Corpos com fósforo
Pelo menos três corpos com "claros sinais" de terem sido vítimas de bombas de fósforo branco - arma química cujo uso contra seres humanos é proibido - deram entrada num hospital da cidade libanesa de Baalbek durante o confronto entre Israel e milícia xiita Hezbollah, informaram fontes clínicas à EFE.
O chefe do serviço de urgências do hospital Dar el- -Amal, Hussein Mahmoud el-Chel, disse que o estado desses corpos - sem nenhum ferimento externo, totalmente contraídos e com a pele esverdeada - apresentava todas as características de um ataque com fósforo branco.
A área de Baalbek, reduto do Hezbollah no vale do Bekaa, situado no Leste do Líbano, foi duramente bombardeada pela aviação israelita durante o conflito, já acusada por organizações internacionais e pelo Governo libanês do recurso a outra arma, as bombas de fragmentação, fornecidas pelos EUA mas cujo uso não havia sido autorizado por Washington.