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Equipas da Cruz Vermelha levam socorro de bicicleta

Alexandra Serôdio, Henriques da Cunha

Equipas da Cruz Vermelha levam socorro de bicicleta

abituaram-se a dar passagem às bicicletas e a responder à pergunta "está tudo bem?". Os leirienses já não dispensam a presença dos socorristas da Cruz Vermelha, enquanto fazem as suas caminhadas ou corridas ao final do dia. Um entorse, um corte, ritmo cardíaco elevado ou simplesmente uma quebra de tensão podem ser de imediato tratados e evitar situações mais preocupantes. O "Byksocorro" começou a 1 de Agosto. E veio para ficar na cidade de Leiria.

"Eles são mesmo simpáticos e, além de nos cumprimentarem ainda perguntam se precisamos de alguma coisa". Isabel Cristina, que há vários meses caminha alguns quilómetros por dia nos passeios pedonais que ligam S. Romão ao Parque Desportivo, em extremos opostos da cidade, admite que já não dispensa a companhia dos socorristas. É que "muitas vezes, somos só mulheres a andar por aqui e sentimo-nos mais seguras quando vemos as bicicletas passarem".

Susana não diminui o passo acelerado, mas anui com a cabeça. Ambas caminham diariamente, sempre a partir das 20 horas, "depois de servido o jantar à família". Sabem que no caso de se magoarem podem recorrer aos serviços da Cruz Vermelha. "Há cerca de uma semana, uma senhora tinha a pulsação acelerada e sentou-se num banco. Os socorristas passaram e trataram logo dela", conta Susana, enquanto acena para um casal de idosos, que diariamente realiza o mesmo percurso pedonal.

"A ideia é mesmo essa. Prestar os primeiros socorros e, assim, evitar situações mais graves", explica, ao JN, o presidente da delegação de Leiria da Cruz Vermelha, garantindo que "as pessoas já sentem a nossa falta, quando por alguma razão estamos algum tempo sem passar pelo mesmo local". Emídio Felix mostra-se satisfeito com "a recepção" dos leirienses ao projecto "Byksocorro" e revela que "a ideia inicial era apenas fazer este tipo de acções durante o Verão". Porém, "o sucesso" quase os "obrigou" a continuarem todos os dias úteis,entre as 19 e as 23 horas e ainda nas manhã de sábado e tardes de domingo.

"Estes são locais escolhidos por muitas pessoas e difícil acesso para as ambulâncias. Daí que tenhamos delineado este projecto", sustenta o responsável, lembrando que "no caso de haver problemas - por exemplo na zona histórica, onde as ruas são muito estreitas - fácil e rapidamente os socorristas de bicicleta chegam ao local".

De acordo com Emídio Félix, os problemas mais frequentes que os caminhantes apresentam "são entorses e escoriações". Contudo ,"há quem peça para medir a tensão ou fazer um teste de glicémia". Daí que nas malas dos socorristas haja pensod, garrafa de oxigénio e máscaras, uma máquina de avaliação da glicémia e um aparelho para medir a tensão", oferecido pela Associação de Estudantes da Escola Superior de Saúde de Leiria.

Diana Moreira, 18 anos, socorrista, é com gosto que participa no projecto. "É bem melhor andar ao ar livre do que nas ambulâncias", afirma, admitindo que andar de bicicleta "até nem custa muito".

Nuno Urbano, o responsável pelas equipas, também as acompanha no terreno. Salienta a utilidade do "Byksocorro", nomeadamente no Parque Radical da cidade, que ainda não está concluído, mas que é já a principal escolha de dezenas de jovens. "Há dias, uma miúda caiu de bicicleta e torceu um pulso. Nós pudemos socorrê-la e transportá-la para o hospital", contou.

Empresas solidárias

Ao desafio lançado pela Cruz Vermelha, a empresa da Marinha Grande "Bicimax" respondeu positivamente. Ofereceu duas bicicletas de montanha, com suspensão à frente, e munidas de um suporte traseiro, onde é colocada uma pequena mala de primeiros socorros. Os veículos, de cor vermelha e orçados em 400 euros cada, "são fiáveis e permitem o socorro imediato em áreas de difícil acesso para viaturas", garante Ricardo Figueiredo, da empresa. E explica que esta oferta "se insere numa atitude solidária da Bicimax", que considerou o projecto "muito interessante, pelo que decidiu associar-se". O Kartódromo de Leiria também se mostrou solidário e emprestou cinco bicicletas. Jorge Santos garante que "outra atitude não era de esperar", já que a Cruz Vermelha presta apoio ao kartódromo. O "relacionamento é antigo", sublinha o responsável, que é também socorrista na instituição. E esclarece "Enquanto as bicicletas forem necessárias, estarão ao serviço desta delegação da Cruz Vermelha". Sempre de forma gratuita.

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