P
ara o documentário "Falta-me", de Cláudia Varejão, que é exibido hoje, às 22.15 horas, na RTP1, foi pedido a 70 pessoas da área metropolitana de Lisboa que escrevessem numa ardósia o que mais lhes fazia falta.
As respostas de indivíduos de vários estratos sociais, de diferentes profissões, idades, contextos sociais ou políticos, pessoas anónimas e figuras públicas, acabam por compor um retrato íntimo da sociedade portuguesa contemporânea.
Esta espécie de retrato social em que a realizadora portuense sintetiza o que mais falta faz a dezenas de habitantes da Grande Lisboa foi já agraciada com a menção especial primeira obra no DocLisboa, em 2005, o prémio Melhor Documentário e o prémio Imprensa no festival Caminhos do Cinema Português, no corrente ano.
"Falta-me" é uma co-produção da Filmes Tejo II com a RTP. E foi seleccionado para o prestigiado Prix Europa de 2006, na categoria de documentário de televisão, a decorrer no próximo dia 21 de Outubro, em Berlim, com presença de todas as televisões europeias,
Cláudia Varejão, em declarações à Lusa, diz acreditar que o cinema de não-ficção português está a passar por uma "revolução".
A realizadora afirmou que "o cinema documental começa a ganhar uma definição e uma linguagem próprias, mais próximas do cinema do que da reportagem, e que só pensa em trabalhar com ficção no futuro."
"O que me atrai é a realidade e a possibilidade de ter um olhar própria sobre a realidade, sem a manipular", referiu ainda a cineasta de 26 anos que estudou câmara, iluminação e realização na Restart - Escola de Criatividade e Novas Tecnologias, em Lisboa, e na Academia Internacional de Cinema de S. Paulo.
Este é a primeira realização de Cláudia Varejão, actualmente a trabalhar como directora de fotografia numa longa-metragem de Graça Castanheira.
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