Aparentemente simples, tarefas do quotidiano como substituir uma lâmpada fundida, abrir uma janela empenada, arrastar um sofá ou mesmo ir à farmácia, podem ser impossíveis de concretizar por pessoas de faixas etárias mais elevadas, com mobilidade reduzida e rendimento insuficiente.
Para agilizar a vida desse universo, a Câmara Municipal de Gaia apresentou, ontem, um novo serviço social denominado 'Gaia Amiga', que disponibilizará uma carrinha com um "funcionário polivalente", formado em áreas desde a electricidade à pichelaria, que irá resolver esses pequenos problemas domiciliários. Os potenciais utentes só terão que inscrever-se previamente no programa através da linha telefónica de apoio 707 100 800 ou dirigirem-se directamente à autarquia. Se tiverem mais de 65 anos e obedecerem aos critérios necessários para beneficiar da ajuda, que é gratuita, o seu nome será integrado na base de dados a utilizar.
O serviço, simbolicamente inaugurado em Vilar de Andorinho, funciona todos os dias das 8 horas às 20 horas e cada solicitação deverá ser respondida num período máximo de 48 horas. Se o problema for superior às competências daquele serviço, será remetido para outros sectores camarários. Inicialmente, o projecto irá abranger, apenas, a área de Vila D'Este, mas, a curto prazo, deverá alargar-se a todo o concelho, sendo concedida prioridade às freguesias mais carenciadas e com maior densidade populacional, como Santa Marinha, Coimbrões ou a zona histórica.
"Até ao fim do trimestre haverá cinco carrinhas a funcionar", anunciou o autarca Luís Filipe Menezes, salvaguardando tratar-se de um "projecto minimalista com carácter experimental", que visa essencialmente cumprir a promessa inscrita no seu programa eleitoral a substituição da política de betão, executada no curso dos seus dois últimos mandatos, pela política humana, construindo uma "cidade cada vez mais fraterna".
Guilherme Aguiar, presidente da Gaianima, parceira neste programa, afirmou que "nem todos os problemas se resolvem com subsídios", razão pela qual diz acreditar neste serviço, que é "personalizado, individual e de inclusão. Não há distinção entre raça, cor partidária ou religião", sublinhou. De resto, acrescentou, "queremos dar a imagem daquilo que parece ser um desejo governamental a política de proximidade, possível a um autarca, mas difícil para um ministro".