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Tentáculos de luz e cor

Cristiano Pereira

E, subitamente, Lisboa muda de cor é hoje que arranca a segunda edição da "Luzboa - Bienal Internacional da Luz".

O certame prolonga-se até dia 30 e apresentará cerca de 20 intervenções artísticas cujo denominador comum passa pela manipulação de luz. Um dos objectivos é levar a arte contemporânea para a rua, através de "um modelo de arte pública que articula projectos-luz e acções de iluminação ambiental". A organização procura, também, "transfigurar poeticamente a noite".

Para tal, e sempre que o sol desaparecer, acender-se-á um corredor luminoso que atravessará algumas zonas do centro da cidade a luz vermelha para a "Lisboa Aristocrata" entre o Príncipe Real e o Largo Camões; a luz verde para a "Lisboa Pombalina" entre o Chiado e a Baixa; e, por último, a luz azul representa a "Lisboa Antiga", que se estenderá entre a Mouraria e Alfama.

Cada um desses segmentos terá as suas instalações artísticas que incidirão em espaços públicos - jardins, largos, edifícios, monumentos ou miradouros - e uma continuidade cromática onde se irá gerir a intensidade luminosa. Os transeuntes terão noção do circuito onde se encontram através da aplicação de filtros coloridos nos candeeiros públicos.

A Bienal traz a Portugal artistas oriundos de vários países. Entre eles destaca-se Jana Matejkova, uma jovem artista da República Checa. É a autora de "Coração", a obra que estará no Jardim do Príncipe Real, o local onde se inicia o circuito vermelho. Trata-se de "uma estrutura labiríntica que suporta um elemento gráfico visual dinâmico", com desenhos lineares de luz "semelhantes a um electrocardiograma". A intenção passa por captar "o ritmo do movimento humano do coração".

Mas existem outros exemplos. No circuito verde, mais propriamente no Largo de São Carlos, aconselha-se uma visita à instalação-escultura do artista francês Bruno Peinado. Trata-se de "La lune" um balão insuflável e iluminado a partir do interior que exige do público "um esforço suplementar de recontextualização da peça em si e do que se possa entender por espaço-objecto artístico".

Entretanto, no dia 25, decorrerá no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz a cerimónia de atribuição do Prémio "Luzboa-Schréder". O prémio, no valor de 10 mil euros, tem por objectivo distinguir "personalidades cuja carreira possa ser considerada um contributo essencial para o desenvolvimento de uma cultura de luz, independentemente do domínio de base a investigação científica, a arquitectura, o urbanismo, as artes ou quaisquer outros territórios criativos".

A abertura da Bienal será hoje assinalada em frente ao Teatro de São Carlos com um "'happening' musical" do Ensemble JER que deverá apresentar repertório de Steve Reich "Clapping music (arranjo para duas cornetas de plástico)" e "Music for pieces of wood". O espectáculo tem início às 20 horas.

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