Director
José Leite Pereira

Director Adjunto
Alfredo Leite

Subdirector
Paulo Ferreira
 

"Comunicação ao país"

Mário Contumélias, Docente universitário

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, fez, há quinze dias, uma "comunicação ao país", através da Televisão. Cerca das 13.00 horas, na mouche dos jornais televisivos da hora do almoço, o líder dos "encarnados" falou, disse e partiu, exactamente como lhe aprouve, segundo regras que ele próprio previamente estabelecera. Parece que havia jornalistas na sala mas não se deu por eles.

Antes, se o "Expresso" está certo, um assessor do líder benfiquista garantira junto do Gabinete do primeiro-ministro, que Vieira não concorreria com Sócrates, ou a inversa, na atenção das Televisões, atentas, veneradoras e, provavelmente, gratas. Tudo isto é, para mim, surpreendente. E simultaneamente revelador.

A questão não está, evidentemente, em que Filipe Vieira decida comunicar. A questão reside no facto da sua "comunicação" ser aceite como tal, unanimemente, pelas Direcções de Informação das três Televisões, incluindo, com algumas nuances, a pública RTP. Porém, foi o que aconteceu. É que, sabia-se à partida, o presidente do Benfica falaria ao país, através das televisões mas, terminada a sua alocução, não aceitava responder a perguntas. Tratava-se, pois, de facto, de uma "comunicação" e não de uma conferência de imprensa.

Apesar disso, SIC e TVI não hesitaram em transmitir, em directo, o que Vieira quis dizer. Quanto à RTP, que abriu o Telejornal da hora do almoço com o Pacto da Justiça, chegou atrasada à sala de imprensa do estádio da Luz, precisamente quando o presidente do Benfica saía, surpreendendo o pivot de serviço, que acabava de dizer aos telespectadores "vamos ouvir Luis Filipe Vieira"... Na impossibilidade, o jornalista Paulo José Martins fez um resumo do que fora dito, a que se seguiram imagens gravadas da "comunicação".

Se não me falha a memória, foi já há quinze que Jean Miot, então director do "Le Figaro", sublinhou, perante a Academia das Ciências Morais e Políticas de França, a clareza da divergência de objectivos entre comunicadores e jornalistas, dizendo esta coisa simples "o jornalista age no interesse geral, o comunicador serve interesses particulares". Ideia que, aplicada a este caso particular, significa que Vieira serviu os seus interesses e os jornalistas se esqueceram de servir os nossos.

É evidente que uma intervenção do presidente do Benfica tem, à partida, importância noticiosa. Mas agir jornalisticamente, de forma ética e profissionalmente irrepreensível, teria implicado ir à Luz gravar a "comunicação", tratá-la posteriormente, e produzir uma peça realmente informativa. Não foi o que aconteceu, mesmo se os diferentes canais juntaram adiante informações de back-ground.

Transmitir em directo não equivale a informar. Ver não significa apreender o significado, apenas alicerça a ilusão de que compreendemos o que se passa à nossa volta. Era bom que os jornalistas e os consumidores de informação percebessem isto de vez.

Mário Contumélias escreve no JN, quinzenalmente, às sextas-feiras

Partilhar
 [?]
 
 













 

Últimas
+Lidas
+Comentadas
+Pesquisadas
 

Jogos Ao Vivo

Serviços


TEMPO Dados fornecidos pelo Weather Channel
  • 17ºC
  • 11ºC
  • HOJE
  • 18ºC
  • 9ºC
  • AMANHÃ

 

Twitter HOME
FACEBOOK HOME
Galeria JN
Entre palavras
Passatempo Muro de Berlim


Controlinveste Media SGPS, S.A. Todos os direitos reservados
Termos de Uso e Política de Privacidade |  Ficha Técnica |  Quem Somos |  Contactos |  Webmaster