A administração da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) e representantes dos trabalhadores, que ontem cumpriram o terceiro dia de greves parciais, tentarão desbloquear, hoje, o impasse na negociação do Acordo de Empresa, segundo fonte sindical. De acordo com Manuel Alves, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN), a reunião foi pedida à administração na terça-feira "com carácter de urgência", mas a empresa "remeteu-se ao silêncio", respondendo que aceitava o diálogo "apenas na sexta-feira", já no primeiro dos três dias de greve.
A reunião ficou agendada para as 16 horas de hoje na Torre das Antas, sede da STCP. Manuel Alves disse esperar que nessa altura a empresa "abandone o seu objectivo de estoirar com todo o articulado do Acordo de Empresa".
O dirigente declarou à agência Lusa que os trabalhadores partem para a reunião dispostos a algumas cedências, já que entendem que "as coisas não são estanques".
Após um plenário na segunda-feira passada, em que se decidiram as greves parciais iniciadas sexta-feira e terminadas hoje, os sindicatos tinham dado um prazo até 20 de Outubro à STCP para a empresa "quebrar o impasse" nas negociações.
Caso se gorem as negociações agora anunciadas e a empresa mantiver as suas "absurdas posições" até 20 de Outubro, os sindicatos vão equacionar nessa altura formas de luta "se calhar mais desagradáveis", disse Manuel Alves, escusando-se a adiantar quais.
Num balanço dos três dias de greves parciais, o dirigente o STRUN admitiu que os utentes dos transportes urbanos não sentiram muito os efeitos da paralisação, sobretudo no primeiro dia, mas negou que isso se ficasse a dever a menor mobilização dos trabalhadores.
"As orientações dadas eram para que se fizesse um período de greve diário equivalente a meio turno, para minimizar os efeitos para os utentes e não prejudicar muito para os próprios trabalhadores, que não recebem os períodos de paralisação", explicou.
As orientações apontavam ainda para que as greves parciais de sexta-feira "incidissem mais na área oficinal", acrescentou. O sindicalista referiu que a adesão às greves parciais oscilou entre os 20 e os 80%, sendo mais significativa na área oficinal, durante o dia de sexta-feira, e nos turnos da tarde dos motoristas.
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