A equipa portuguesa de futebol dos sem-abrigo decidiu deixar o alojamento escolhido pela organização do Campeonato Mundial dos Sem-Abrigo, a decorrer na Cidade do Cabo, na África do Sul, alegando falta de condições, seguindo assim o exemplo de outras quatro equipas.
Austrália, Estados Unidos, Canadá, Escócia e agora Portugal decidiram instalar os atletas em residenciais pagas às suas custas depois de terem verificado que as instalações da Escola Secundária que receberia os atletas não reuniam condições mínimas de conforto e higiene.
Os oito jogadores portugueses e a equipa técnica manifestaram algum desagrado pelo facto de, por exemplo, não existirem duches suficientes para as 200 pessoas instaladas na escola.
"Trata-se de um evento com 48 selecções e não basta apenas a boa vontade, tem de haver condições para receber os atletas", disse à Lusa João Barnabé, treinador da equipa portuguesa, admitindo contudo que a organização tem feito um esforço para melhorar as condições.
A Escola Secundária Trafalgar, que tem uma história de resistência ao 'apartheid', juntamente com outros dois estabelecimentos de ensino da área, foram os locais escolhidos pela organização para instalar os atletas das 48 selecções que participam no mundial de futebol de rua.
Apesar de todo o esforço, sacrifício e boa vontade demonstrados pelos funcionários, professores e alunos da escola para receber as equipas, a verdade é que não conseguiram evitar um verdadeiro choque de culturas.
Entretanto, a Selecção Portuguesa de Futebol de Rua venceu ontem a Suécia por 10-1, no primeiro jogo da fase preliminar do Mundial que decorre na Cidade do Cabo, até ao dia 30 de Setembro. Os jogadores portugueses, que no início da partida ofereceram rosas brancas aos adversários, dominaram os 14 minutos do encontro.
Este campeonato, que já é visto como um dos maiores eventos sociais do Mundo com o objectivo principal de alertar para a exclusão social, destina-se a homens e mulheres com mais de 16 anos que se encontrem em situação de pobreza; e tem vindo a demonstrar que o desporto pode mudar a vida destas pessoas.
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