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Polícias aprendem a fazer arrombamento de portas

Paula Gonçalves, Nuno Alegria

Elementos das principais forças policiais (GNR, PSP, PJ Militar e SEF) passaram o fim-de-semana numa quinta, na Bairrada, a treinar tácticas de arrombamento de portas. Numa altura em que os suspeitos, alvo de buscas domiciliárias, começam a investir na segurança das entradas das suas residências, recorrendo até a portas blindadas, os agentes fazem cursos de formação para conseguirem arrombamentos "rápidos e eficazes".

Arrombar uma porta tem a sua técnica. "Não é escolher para essa tarefa o elemento mais forte da equipa", avisa o monitor do curso, que prefere manter o anonimato, tal como os alunos. Ontem, os 12 participantes (incluindo também militares das Forças Armadas) começaram por treinar o arrombamento balístico. "Têm que apontar a arma para a fechadura, caso contrário fazem um buraco na porta, mas o trinco continua lá", afirma o orientador, gritando "Rápido! Evitem estar muito tempo junto à porta para impedir o fogo do interior".

Como comentava um elemento da PSP, "quando vamos cumprir um mandado de busca, esta é a parte mais perigosa quer para nós, como para quem está no interior da casa". E todos os dias as forças policiais fazem buscas e se confrontam com esta situação. Segundo os elementos do Núcleo de Treino Táctico (constituído por polícias), "90% das intervenções policiais e militares que incluem entradas dinâmicas em edifícios, residências, ou compartimentos, são precedidas da necessidade de um arrombamento" que se quer "rápido e eficaz". Por um lado, "há que evitar baixas quer entre nós, como entre os residentes" e, por outro, é fundamental o elemento surpresa, especialmente nos casos de narcotráfico, "para evitar a destruição de provas".

"Isto é um mau arrombamento o tiro perfurou, mas o trinco continua", alerta o monitor, ao que um dos alunos acrescenta, em tom de brincadeira: "É uma porta de traficante, das mais difíceis de arrombar". Existem várias tácticas de arrombamento (balístico, mecânico/simples, com explosivos e motorizados - com ferramentas com motor), tendo os participantes praticado sobretudo o balístico e o mecânico, com recurso a marretas e aríetes.

A táctica a aplicar, sublinha o orientador, depende do tipo de porta e de fechadura, sendo necessário uma análise prévia, por parte da equipa, no sentido de verificar qual o método mais adequado. "Por exemplo, se o suspeito investiu na segurança e tem uma porta blindada, só usando explosivos ou encontrando outro ponto da casa para entrar".

O arrombamento, segundo garantem, "é determinante para o sucesso de uma operação", podendo, no caso de ser mal sucedido, "comprometer meses de investigação e acarretar vários perigos". No entanto, é um aspecto normalmente "desvalorizado", adoptando-se a técnica do "chega e deita abaixo, mas às vezes as coisas correm mal". Segundo referem, nenhuma das instituições a que pertencem, à excepção da PJ Militar, dá formação na área, nem financia este tipo de curso, suportado na íntegra pelos agentes.

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