"Énecessário convencer as empresas que também é um investimento económico apostar na contratação de quadros qualificados e que estes não representam, apenas, um acrescento na massa salarial". A ideia foi defendia, ontem, pela vice-reitora da Universidade do Porto durante uma conferência destinada a debater as perspectivas de empregabilidade no Ensino Superior possibilitada graças às reformas trazidas pelo Processo de Bolonha.
No âmbito do "Fórum Emprego" que foi inaugurado, ontem, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), Maria de Lurdes Correia elucidou os estudantes presentes na conferência sobre as vantagens que as reformas de Bolonha trazem para os alunos do Ensino Superior. Entre as "mais-valias" conquistadas, a vice-reitora da UP salientou que a reforma vai fazer com que os licenciados saiam das faculdades capazes de maior autonomia, espírito empreendedor e capacidade de inovação.
A tónica na necessidade de implementar uma formação ao longo da vida presente nas reformas de Bolonha irá levar a UP a investir mais na formação contínua, fornecendo cursos de actualização e formação avançada para os já licenciados. Maria de Lurdes Correia fez notar que cabe a todos um empenho forte nas reformas do Ensino Superior. E, aproveitando o momento em que algumas empresas estão presentes no "Fórum Emprego", salientou a necessidade de os empresários perceberem as vantagens que lhes advêm da contratação de quadros superiores.
A mesma opinião foi partilhada por Sebastião Feyo de Azevedo, professor catedrático da FEUP e membro da Comissão de Acompanhamento do Processo de Bolonha. No seu dizer, as empresas podem ser mais competitivas através do investimento no conhecimento. O investigador considerou a legislação já publicada de adaptação do Ensino Superior português a Bolonha como "corajosa". Salientou que ela prevê um "sistema binário, fomenta a formação complementar, introduz mecanismos de clara diferenciação de oferta e mecanismos gerais de acreditação".
Muitos outros seminários e "workshops" estão previstos até à próxima quinta-feira, último dia do "Fórum Emprego". Para além do debate de questões relacionadas com o exercício da engenharia, os estudantes poderão aprender coisas que lhe serão úteis na procura de trabalho. Assim, haverá ao longo dos próximos dias sessões que elucidarão os jovens sobre como organizar um curriculum vitae e a carta de apresentação, como procurar emprego, entrevista, testes psicotécnicos e que caminhos seguir para criar o próprio emprego ou empresa.
Mariana Rocha
Recém-licenciada
Em Junho passado, concluiu a licenciatura em Engenharia Química. Foi de férias e, agora, regressou à faculdade, não para frequentar outro curso, mas para conhecer as perspectivas de trabalho que se abrem. "Este Fórum Emprego é muito útil, porque permite aos estudantes que terminaram a licenciatura ou estejam em vias de o fazer um primeiro contacto com o mundo do trabalho", comentou Mariana Rocha. A jovem licenciada acredita que terá dificuldades em conseguir o seu primeiro emprego. "O meu curso não inclui estágio profissional, o que é penalizador, pois seria a forma de aproximar os estudantes das empresas", salientou. Oriunda de Lagos, Mariana pretende continuar pelo Norte, já que é naquela região que poderá ter mais hipóteses de iniciar uma actividade profissional.
"Perspectivas de trabalho são boas"
Fernando Pinto
Estudante do 5.º ano
"As perspectivas de arranjar trabalho são boas, não conheço ninguém do meu curso que o tenha concluído e tenha ficado desempregado". Animado com as perspectivas profissionais, Fernando Pinto percorria, ontem, os "stands" das empresas presentes no Fórum Emprego. É que este é o ano lectivo final para concluir a licenciatura em Engenharia Electrotécnica e Computadores. "Esta iniciativa é muito útil, porque passamos os dias aqui fechados na faculdade e são as empresas que vêm ter connosco para se darem a conhecer", realçou. Fernando Pinto acredita que não terá dificuldades em arranjar o seu primeiro emprego. "De início, sei que não se ganha muito e que temos de nos empenhar para mostrar o que sabemos e as nossas competências profissionais", concluiu.
A Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) orgulha-se de ver os seus estudantes rapidamente empregados. Maria do Rosário Trindade, responsável pela organização do "Fórum Emprego", disse ao JN que, dos 500 licenciados no ano passado, 90% conseguiram trabalho ao fim de seis meses. Os cursos que oferecem empregabilidade a 100% são os de Engenharia Informática e Computação e de Gestão Engenharia Industrial. Conforme explicou, há mesmo alunos - cerca de 30% - que, ainda antes de concluírem os seus estudos, conseguem trabalho. Por seu turno, Carlos Oliveira, director do serviço de imagem e comunicação, realçou que a instituição foi das que menos sofreram com a quebra do número de candidatos. Recordou que apenas as licenciaturas em Engenharia Electrotécnica, Química, Metalúrgica e de Materiais e Minas ficaram com vagas por preencher após a primeira fase de candidaturas ao Ensino Superior.