Casco de navio no areal aguça curiosidade popular
Alexandra Serôdio, Henriques da Cunha
em cerca de 90 metros de comprimento e muitos outros de altura. O casco de um navio de grande porte é, desde a manhã de ontem, o ponto central dos olhares de muitos curiosos que, apesar do vento e da chuva, acorreram ao areal de Peniche, muito perto da praia da Cova da Alfarroba.
"Inacreditável" era a palavra mais ouvida entre os que passavam pelo local. Abismados com o cenário, contornam várias vezes o casco "estacionado" em pleno areal e fixam o olhar por um pequeno buraco que dá acesso ao interior daquele que, no futuro, será um grande navio.
O corrupio de curiosos mistura-se com um grande número de surfistas, que indiferentes às manobras dos rebocadores no mar, se vão deliciando com as ondas. Em terra, uma equipa de peritos de salvamento holandeses (ver caixa) tenta perceber o que fazer e de uma forma rápida. É que o comandante de porto já fez saber que o casco "tem de ser retirado o mais depressa possível". "Não por que haja perigos de poluição - dado que o casco está totalmente vazio - mas porque ali não é o lugar dele", explicou ao JN o comandante Guerreiro Cardoso.
De acordo com o mesmo responsável, só uma investigação poderá revelar o que realmente se passou, na enseada entre o Baleal e Peniche, local onde desde sexta-feira o casco e o respectivo rebocador se encontravam "abrigados" devido ao mau tempo.
Anteontem, com a melhoria das condições, o rebocador - com bandeira da Eslováquia e comandante polaco - começou a efectuar a manobra que o levaria à Holanda, país onde seria equipado, dado que o casco foi construído na Roménia.
Segundo o comandante do porto, "o cabo do rebocador envolveu-se na hélice, tendo ficado sem propulsão e acabado por dar à costa". O mesmo responsável referiu que o rebocador ficou a cerca de 300 metros do areal.
O acidente ocorreu por volta das 19 horas de anteontem e os seis tripulantes a bordo do rebocador estão todos bem. Ontem de manhã, alguns mergulhadores tentaram retirar o cabo da hélice, o que não foi possível. O rebocador foi então levado por uma outra embarcação para o porto. Durante o dia de hoje, com o auxilio de outros rebocadores, os peritos holandeses vão tentar retirar o casco do areal de Peniche.
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