Localização de IKEA contestada
O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) entregou, anteontem, no Parlamento, um requerimento destinado ao Ministério do Ambiente, Ordenamento do território e Desenvolvimento Regional, a contestar a decisão de instalar uma fábrica da empresa sueca IKEA numa zona de Reserva Ecológica Nacional (REN) em Paços de Ferreira, devido à suspensão do Plano Director Municipal (PDM) daquele concelho.
O ministro da Economia, Manuel Pinho, confirmou, na terça-feira, que este investimento, cujo valor ronda os 135 milhões de euros e que pretende gerar 550 postos de trabalho directos, terá lugar nos terrenos classificados como REN, nomeadamente junto às linhas de água da serra da Agrela, numa zona florestal.
De acordo com Francisco Madeira Lopes, do PEV, é "extraordinário e lamentável" como, nesta situação, "os instrumentos de ordenamento do território (PDM e REN) são absolutamente espezinhados e ignorados na tomada de decisões de tão grande importância para aquela região e como tão rapidamente os bens ambientais e o património natural são esmagados em nome das opções privadas e do primado pelo lucro".
O deputado critica ainda a justificação dada, anteontem, pelo ministro do Ambiente, para a suspenção parcial do PDM. Segundo Nunes Correia, essa decisão apoia-se no interesse público, mas, para Madeira Lopes, tal "demonstra mais uma vez que os interesses privados económicos se sobrepõem sempre, e com o beneplácito da tutela do Ambiente, aos valores ambientais e de ordenamento do território".
Com o requerimento, o PEV visa esclarecer, entre outras questões, por que motivo "existindo na região parcelas de território destinadas à instalação de unidades industriais", a escolha incidiu sobre um território situado na REN.
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