Peças fora de prazo eram reintroduzidas nos aviões
Eduardo Guedes, Correspondente em Moscovo
A Procuradoria Geral da Rússia anunciou a detenção Alexei Surikov, director da empresa "SB-120 Sheremetievo", acusado de envolvimento num negócio de venda de "peças falsificadas" à aviação civil. Anteriormente, a Procuradoria tinha procedido à detenção de um engenheiro, Viktor Gamaiunov, que geria directamente o negócio ilícito. Agora as investigações indicam que o subordinado não agia sem o aval da direcção da empresa.
O negócio consistia, sobretudo, na venda de instrumentos e componentes com o prazo de exploração caducado, "fabricando" para o efeito a documentação necessária. Foram apreendidos cerca de 40 carimbos de fabricantes e departamentos de controlo técnico. As autoridades informaram também as empresas de aviação de todos os factos conhecidos em que houve fornecimento de "peças falsas". A empresa funcionava nas instalações do Instituto de Investigação da Aviação Civil, nas imediações do principal aeroporto de Moscovo (Sheremetievo), onde terá sido apreendido "um armazém inteiro de peças".
O processo foi desencadeado na sequência do acidente ocorrido em finais de Agosto com um Tupolev-154 da companhia Pulkovo, que vitimou 160 pessoas. Nessa altura, um especialista em aviação, Vladimir Karnozov, afirmou que, "depois da Perestroika, havia um problema sério de utilização de componentes falsificadas", explicando que "num avião coloca-se a peça retirada de um avião abatido, mas a documentação corresponde a uma peça nova". Segundo Valeri Brusnikin, do Instituto de Investigação da Aviação Civil, a percentagem de componentes falsificadas nos aviões russos é de "cerca de 7%, das peças substituídas nos aviões". "São componentes que esgotaram o seu período de exploração, mas são novamente colocadas no mercado".
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