Oacordo que permitirá construir um reactor experimental de fusão nuclear será hoje assinado oficialmente, em Paris, pelos sete parceiros do projecto, entre os quais está Portugal, através do Centro de Fusão Nuclear.
O ITER ( International Thermonuclear Experimental Reactor) será construído em Caradache, perto de Marselha, França, e custará cerca de 12 mil milhões de euros. Este projecto baseia-se na fusão nuclear controlada, que criará energia de uma forma limpa e ilimitada.
A fusão termonuclear visa, através de investigação e experimentação, reproduzir as reacções que ocorrem no centro do sol. Até agora sem sucesso, os cientistas pretendem descobrir de que forma os dois isótopos do hidrogénio, deutérium e tritium, se fundem para formar o hélio, libertando uma grande quantidade de energia. Este processo distingue-se do actual método de criação de energia nuclear, que se baseia na fragmentação de um átomo.
A energia saída da fusão, cujo quilograma corresponde a 10 milhões de litros de petróleo, tem a vantagem de ser mais limpa, e praticamente inesgotável, já que o deuterium se pode encontrar na água, e o tritium fabricado em laboratório, numa câmara especial - a tokamak -, invenção russa.
O projecto terá a duração de 35 anos e os custos serão suportados maioritariamente pela agência ITER Europa, sediada em Barcelona. A Europa terá de financiar com 50%, e Estados Unidos, Rússia, Japão, China e Coreia do Sul assumirão, cada um, 10% do financiamento. A entrada da Índia no acordo permitirá aos parceiros disporem de uma reserva estratégica de 500 milhões de euros.
Portugal está representado pelo Centro de Fusão Nuclear, através do contrato de associação EUTRATOM/IST e do "European Fusion Development Agreement", do qual Carlos Varandas é presidente da Comissão de Gestão.
O acordo será presidido por Durão Barroso e contará com a presença dos ministros dos sete parceiros. Nalguns casos, o projecto terá ainda de ser levado aos parlamentos nacionais para a sua ratificação dentro de seis meses.
O projecto, de negociação difícil, vai assim a partir de hoje ter existência jurídica e financeira.
*com agências