Oministro da Economia informou ontem quePortugal projecta "investir no sector energético, nos próximos anos [até cerca de 2010], oito mil milhões de euros", ou seja, mais de 5% do índice de riqueza nacional, embora considere que a solução para o desafio do aprovisionamento de energia "tem de ser encontrada ao nível global e europeu, e não apenas nacional".
Portugal - cuja interconexão com a Espanha, visando cobrir 30% do consumo em 2010, "é uma das mais elevadas da Europa" - está "fortemente empenhado em construir o mercado ibérico regional", bem como o Mercado Interno europeu, disse em Bruxelas, no âmbito de uma conferência internacional sobre política de energia.
Manuel Pinho defendeu uma "regulação independente" do mercado sem chegar ao ponto de aplaudir explicitamente, como fez na mesma conferência o seu homólogo espanhol, a proposta da Comissão Barroso sobre a criação de uma autoridade reguladora europeia.
"A era dos 27 mini-mercados europeus e mini-políticas tem de acabar", declarou, por seu turno, o presidente da Comissão Europeia, a propósito do lançamento, em Janeiro, de um pacote europeu de medidas destinadas a tornar o Mercado Europeu da Energia numa realidade.
A UE importa 50% da energia que consome, prevendo-se que essa dependência face ao exterior aumente para 70% dentro de 15 anos caso não modifique a sua política.
Barroso enfatizou a ideia de que "os mercados abertos, não o nacionalismo primário, são a via para a sustentabilidade e segurança energética".
Russos na Galp
À margem da conferência, o ministro furtou-se a um comentário sobre a possibilidade de a companhia russa Gazprom entrar no capital da Galp Energia, alegando não querer alimentar especulações em torno de uma hipotética "questão accionista".
"Não posso especular sobre cenários", disse o governante, questionado por jornalistas portugueses.
Manuel Pinho, que assegurou não ter recebido nenhuma comunicação a esse respeito, declinou pronunciar-se sobre o estado de espírito político com que o Governo a que pertence olha para a perspectiva de Portugal ficar eventualmente demasiado dependente dos fornecimentos de gás russo, e se consideraria a Rússia um fornecedor seguro, ou se haviam sido pedidas quaisquer contrapartidas à parte russa.
Admitiu, no entanto, a necessidade de "transformar a Rússia num fornecedor seguro" e a importância de Portugal "diversificar" e "assegurar" as suas "fontes de abastecimento no sector (do gás)", incluindo através da "construção de infra-estruturas".
Maior risco de apagões
Os responsáveis pelas principais empresas energéticas europeias estão preocupados com a segurança do abastecimento e acreditam que o risco de corte de abastecimento está a crescer, refere o relatório anual do sector elaborado pela PricewaterhouseCoopers. Cerca de metade dos executivos das energéticas líderes na Europa acreditam que "apagões" e interrupções no abastecimento de gás são mais prováveis agora do que há cinco anos, devido à instabilidade política que afecta alguns dos países fornecedores de gás natural. Mais de um terço dos inquiridos europeus referem como "imenso" ou "significativo" desafio o desequilíbrio entre a oferta e a procura e o abastecimento na Europa. O estudo afirma que vai haver um menor número de empresas de geração e distribuição de energia, com dimensão muito maior.
Refere ainda que a tecnologia vai ser o principal motor nas alterações do sector e que os investimentos vão ser, fundamentalmente, focados no carvão limpo para reduzir as emissões de C02.