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Menos infecções de sida entre os toxicodependentes

Helena Norte

Onúmero de casos de infecção de sida entre os toxicodependentes portugueses baixou cerca de um terço, no espaço de quatro anos, de acordo com o mais recente relatório das Nações Unidas sobre a doença a nível global.

De 2001 para 2005, os diagnósticos de VIH (vírus da imunodeficiência humana) entre os consumidores de drogas por via intravenosa baixaram 31%, revela a actualização do Relatório Global sobre a Epidemia de Sida 2006, datada de Maio último. Segundo os responsáveis do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/sida (ONUSIDA) e da Organização Mundial de Saúde (OMS), os resultados provam a "evidente eficácia dos programas de redução de riscos para controlar as infecções por VIH" neste segmento da população.

Este reconhecimento trata-se, na realidade, de uma correcção que a ONUSIDA faz em relação aos dados sobre Portugal, explicou ao JN Henrique Barros, coordenador nacional para a infecção HIV/sida. "São resultados esperados, não têm mérito recente. São a demonstração das políticas activas de redução de danos, nomeadamente os programas de troca de seringas e de terapias de substituição (metadona), que Portugal implementou", sublinha o responsável.

A quebra de infecções entre a população toxicodependente é, pois, o corolário de dois factores a diminuição do uso de material infectado, entre os toxicodependentes, e também do consumo de drogas, por via intravenosa, resume Henrique Barros.

No relatório de Maio, a ONUSIDA estimava em 32 mil os portugueses afectados pela doença, o que representa uma discrepância em relação aos últimos dados do Centro de Vigilância Epidemiológica de Doenças Transmissíveis (CVEDT) do Instituto Nacional Ricardo Jorge, que, até Junho de 2006, registava 29 461 infecções por VIH/sida.

Deste total de notificações, quase metade (45,5%) são toxicodependentes. Embora o grupo de transmissão sexual homossexual masculina represente apenas 11,8% do total de casos, trata-se de uma população que, nos últimos anos, evidencia, em toda a Europa, um comportamento de elevado risco. Em Portugal, os resultados não se fizeram esperar um aumento de 68% nos novos casos de infecção, entre 2001 e 2005, alerta o responsável da Coordenação Nacional para a Infecção HIV/sida.

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