Crianças foram cientistas por um dia na Universidade
Pedro Antunes Pereira
"Estivemos a ver os filhos dentro da barriga dos ovos", foi a primeira reacção do pequeno Mateus depois de observar pelo microscópio os pintainhos dentro dos ovos. A afirmação justifica-se pela explicação que lhe foi dada, por uma professora da Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho "os embriões dos animais são muito parecidos com os nossos, dos humanos e isso permite fazer investigações em várias áreas". Mateus era um dos 21 alunos do quarto ano de escolaridade da escola de Gualtar, em Braga, que andaram pelos laboratórios da escola a ser cientistas por um dia.
A primeira queixa foi que a água estava muito quente, mas depois de pôr a outra mão noutro recipiente a reacção foi "esta está muito fria". A seguir foi-lhe pedido que metesse as duas mãos num recipiente com água à temperatura normal: "uma mão está fria e outra está quente". Estava dado o mote para mais umas explicações sobre o funcionamento do cérebro e as respostas que este dá com diferentes estímulos.
Olhos vendados. Nariz tapado. Para meterem na boca é-lhes dado um bocado de cenoura e as dificuldades em perceber o que era não foram muitas. O mesmo aconteceu com a maçã. O objectivo era simples "perceber as funções dos cinco sentidos". Outra das actividades criou um grande burburinho. À pergunta inicial, "a água tem vida", a resposta foi em coro: "Não!". Mas depois da observação ao microscópio de água tirada dos rios ou de aquários, o espanto tomou conta deles: "Afinal, tem!".
"As coisas que nós aprendemos... Isto é mesmo giro!", referiu o Rafael para pedir de seguida à professora "podíamos vir aqui mais vezes!"
A actividade "Portas Abertas Cientistas por um dia", que decorre no âmbito da Semana da Ciência e da Tecnologia, juntou, ontem, alunos de quatro escolas do concelho e leva, hoje, até à Universidade estudantes do 7.º ano e do 12.º, num total de 230 alunos.
Kit para alunos
Os participantes levaram para casa um kit com uma pipeta, luvas, touca, explicações sobre a vacinação e material para realizarem uma experiência de mineralização dos ossos.
Programa
Os alunos do 7.º ano vão realizar experiências com indicadores de ácido, sobre o cérebro e as ilusões de óptica, a observação de embriões de galinha à lupa e de microrganismos ao microscópio bem como a extracção de ADN do kiwi.
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