Enfrentar um mercado de trabalho difícil foi algo que cinco licenciados em Administração Pública da Universidade do Minho (UM) experienciaram antes de "dar o salto". Criaram, pouco depois, uma empresa de consultoria empresarial em Braga, a Edit Value, onde constatam, diariamente, que o auto-emprego é uma saída em crescimento, a julgar pelos licenciados que os procuram em busca de ajuda para criar empresas.
Nuno Pinto Basto, administrador da Edit Value, foi um dos convidados do Fórum Emprego2006- Jornadas Universitárias de Emprego Norte de Portugal - Galiza, organizado pela Universidade do Minho, como forma de promover a reflexão sobre alternativas. Para o empresário, licenciado em 2004, "não se pode estar parado, nem durante o curso nem depois". O "empreendedorismo qualificado" é um caminho viável, nas condições adequadas.
A Edit Value abriu, no ano passado, como uma espécie de "clínica de saúde" para as empresas, ajudando-as, pontual ou permanentemente, a traçar os melhores planos, para as áreas financeiras, fiscal, de recursos humanos, entre outras. "Sentimo-nos capazes de avançar com isto, muito embora a nossa ideia fosse obter alguma experiência profissional antes", recorda. Alguns chegaram a tentar o mundo do trabalho por conta de outrem, mas nem sempre as experiências foram positivas. Daí à criação da Edit Value foi um passo. Actualmente, têm firmadas já 14 parcerias com várias entidades de âmbito empresarialque os apoiam e com a UM, onde entraram num processo de spin off académico, que potencia a aplicação prática da investigação ali realizada. Com uma área de cobertura que abrange todo o Minho, têm sido muitos os recém- licenciados da UM que os contratam para os ajudar a "constituir micro e pequenas empresas".
"Traçamos-lhe planos a cinco anos, com estudos sobre o mercado e o rumo a seguir", explica. Dentro da própria empresa, vão-se, por outro lado, incubando talentos. Dois professores investigadores da Escola de Economia e Gestão integram o Conselho Consultivo (onde está também um consultor da Tec Minho), dão apoio à empresa, enquanto vigiam a aprendizagem da chamada "empresa júnior", um grupo de estudantes que, semestralmente, são admitidos na Edit Value para mini-estágios.
Nuno Pinto Basto foi um testemunho de como o empreendedorismo pode ser uma alternativa. Mas os restantes oradores, o administrador da empresa Talent Manager, do Estoril, e o Director- Geral da Gold &Silver, (ambas também na área da consultoria) levaram outra perspectiva que passa pela admissão de licenciados "com vontade de inovar".
O Fórum Emprego 2006 teve como tema de fundo a possibilidade alternativa da migração para o mercado de trabalho da Galiza, no âmbito da rede de aconselhamento Eures, mas foram várias as entidades convidadas para apontar soluções, como a Força Aérea Portuguesa que, ontem, esteve presente para explicar aos estudantes de que forma podem ingressar na instituição.