Portugueses investigam paludismo
Dois centros de investigação portugueses estão empenhados na luta contra o paludismo, uma doença "típica" dos países pobres que mata todos os anos três milhões de crianças e para a qual ainda não existe vacina.
O grande objectivo é mesmo encontrar "uma vacina eficaz contra a doença", afirma António Coutinho, director do Instituto Gulbenkian de Ciência, onde um grupo de investigação testa genes de resistência à doença, em colaboração com o Hospital Pediátrico de Luanda.
O grupo realiza também estudos epidemiológicos na ilha do Príncipe, para compreender "a genética de resistência ou susceptibilidade ao paludismo", acrescentou o cientista, citado pela agência Lusa.
O paludismo está igualmente no centro das pesquisas que o Centro de Malária e Doenças Tropicais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical desenvolve no grupo de doenças da pobreza, o qual inclui também o VIH-Sida e a doença do sono.
Segundo o coordenador daquele centro, a sua actividade está especialmente vocacionada para a capacitação de pessoal de saúde "para agir no local", através da formação de médicos, enfermeiros e técnicos de laboratório.
Os parceiros preferenciais do centro são os países africanos de língua portuguesa, mas há também projectos de investigação com centros do Brasil e de Espanha, com vista às pesquisas na áreas da prevenção, expansão da doença e combate ao micróbio causador.
Todos os estudos são morosos, reconhece António Coutinho, mas o número de vítimas justifica o esforço, acentua, chamando a atenção para o problema ético do financiamento da investigação em medicina.
"Nos países ricos, gastam-se milhões com doenças que afectam poucas pessoas, quando se podia investir mais na investigação de doenças da pobreza, que matam milhões nos países subdesenvolvidos", sustenta.
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