As doenças do envelhecimento vão ser uma prioridade do novo instituto de investigação na área da Saúde que vai nascer no Porto da associação de três dos mais prestigiados centros de ciência do país. A ideia é juntar a experiência do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) em doenças oncológicas, os conhecimentos do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) em patologias neurodegenerativas e genéticas e os avanços conseguidos pelo Instituto de Engenharia Biomédica (INEB) em regeneração de tecidos.
O formato do futuro Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (I3S) ainda não está decidido, mas os directores das três instituições estão convictos de que vai avançar e agregar os cerca de 600 investigadores já associados aos três centros. Uma dimensão que permitirá a almejada internacionalização. Sobrinho Simões, director do IPATIMUP, perspectiva o I3S como uma oportunidade para potenciar as sinergias necessárias para intervir numa área altamente competitiva como é a medicina regenerativa.
O que se pretende é perceber melhor o envelhecimento e as doenças associadas, como as neurodegenerativas e as oncológicas. O cientista explica que, conhecendo-se melhor os mecanismos celulares, pode actuar-se tanto ao nível da prevenção como do tratamento, já não tanto com a tradicional terapia genética, mas através da introdução de células sãs, com potencial de crescimento, para substituir as que estão doentes.
No IBMC, há muito que se estudam os processos de envelhecimento em organismos idênticos ao nosso. Alexandre Quintanilha explica que o objectivo é compreender como é que os mecanismos que temos de defesa e reparação vão falhando à medida que vamos ficando mais velhos. As manchas que aparecem na pele das pessoas idosas são uma manifestação do "lixo" que o nosso organismo já não consegue drenar e se vai acumulando em vários locais, incluindo no cérebro. Processos como este acontecem à medida que a idade passa, mas podem ser adiados, atenuados ou até evitados. "Retardando o envelhecimento, retardamos muitas doenças, o que permitirá uma grande economia de recursos. Um dos grandes problemas dos sistemas de saúde actuais é que, nos últimos dez anos de vida, cada pessoa gasta, em média, mais do que nos primeiros 70", sublinha o cientista.
As aplicações deste conhecimento são muito variadas. Desenvolver materiais que auxiliem os tecidos, como os dos ossos ou dos nervos, a autoregenerarem-se é uma das principais áreas de intervenção do INEB e um dos contributos para o futuro I3S, de acordo com Mário Barbosa. A experiência na criação de biomateriais e sistemas de diagnóstico inovadores são algumas das mais-valias deste centro.
A forma como os três institutos vão associar-se está a ser estudada por um grupo de avaliadores finlandeses, que deverá apresentar uma proposta para concurso internacional no próximo ano. Seguir-se-á uma avaliação feita pelo INSERM (Agência Nacional de Investigação Francesa) e, só depois, se conhecerá o formato final.
Certo, para já, é que o modelo escolhido "deverá ser suficientemente aberto para estimular a adesão de outras instituições portuguesas e estrangeiras de investigação em biomedicina e saúde pública", sublinha Sobrinho. " Os três institutos gostariam de ser o núcleo aglutinador de um conjunto de instituições, tanto de investigação, inovação e de serviços, como ainda, na interface com a indústria farmacêutica".