As mulheres sentem as emoções com maior intensidade do que os homens, revela um estudo científico inédito realizado em Portugal. As emoções escolhidas foram medo, desprezo, tristeza, fúria, felicidade e surpresa.
Denominado "Construção psicológica das emoções o efeito do movimento dos músculos da face. Estudo empírico com portugueses", o trabalho foi realizado pelo Laboratório de Expressão Facial da Emoção e pretendeu perceber de que forma os músculos faciais podem exibir as emoções básicas. No estudo participaram 338 portugueses (169 mulheres e 169 homens) de idades compreendidas entre os 18 e os 70 anos.
O director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção, Freitas--Magalhães, explicou à agência Lusa que o procedimento consistiu em solicitar aos participantes que usassem os 46 músculos faciais para exibir as emoções.
As conclusões referem que as expressões faciais reflectem e determinam como se exprimem as emoções e que as mulheres sentem as emoções com maior intensidade do que os homens.
As emoções são sentidas mais intensamente entre os participantes dos 40 aos 60 anos, factor que está relacionados com a aprendizagem e com o facto de as pessoas mais idosas terem uma maior predisposição para as emoções, adiantou Freitas-Magalhães.
Os resultados do estudo revelam ainda que as expressões faciais não só exibem a experiência emocional mas também determinam o modo como se vive e se rotula as emoções básicas.
O laboratório realizou anteriormente dois estudos semelhantes com crianças e jovens, no qual lhes era pedido que associassem notas musicais e cores às emoções.
No primeiro estudo foi pedido às crianças que fizessem a associação de forma instintiva, pois o objectivo era verificar as suas capacidades cognitivas. Assim, as crianças visualizavam as imagens das emoções básicas, sendo atribuída uma nota musical a cada uma delas. O que se verificou foi que, mais tarde, conseguiam associar as notas às emoções, ou seja, memorizaram-nas.
O segundo estudo pretendeu perceber de que forma as crianças e os jovens percepcionavam as emoções e quais as cores que instintivamente associavam a cada uma. Este estudo concluiu que crianças e jovens tendem a associar o vermelho à alegria e o amarelo à cólera, mas para as outras emoções os mais velhos elegem cores diferentes das escolhidas pelos mais pequenos
As conclusões do trabalho apontam para que as crianças associem instintivamente as mesmas cores às mesmas emoções, sem se verificar qualquer diferença de género nessa escolha.
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