e loja em loja e pela rua fora, os agentes Pedro Alves e Rosa Freitas foram passando a mensagem. Apresentaram-se como "polícias de proximidade", disponibilizaram-se para ser um "elo de ligação" sempre que necessário e até deixaram um número de telemóvel para contacto. Deram assim rosto ao programa-piloto, de âmbito nacional, que ontem arrancou no Porto, mais propriamente na Rua de Santa Catarina, e já abrange a totalidade da freguesia de Santo Ildefonso.
A receptividade foi boa, assim como as intenções do projecto. A nova missão policial consiste fundamentalmente na atribuição de áreas geográficas específicas a um grupo de agentes (nesta primeira fase são nove), de forma a que estes possam criar laços com os cidadãos, sejam moradores ou comerciantes. Será feito um contacto mais directo com as pessoas, privilegiando-se os designados "grupos de risco", onde se incluem idosos, menores, mulheres e pessoas com deficiência.
As vítimas de violência doméstica e os sem-abrigo espalhados pela cidade também merecerão atenção, segundo os responsáveis pelo Comando do Porto, que ontem apresentaram a iniciativa à Comunicação Social. "Queremos reforçar a ligação dos agentes à população fixa e não fixa, de forma a termos um conhecimento mais exacto dos seus problemas", sintetizou o comandante da PSP do Porto, Gomes Pereira.
Colaborar para prevenir
A colaboração entre a comunidade e a Polícia na prevenção da chamada pequena criminalidade (por exemplo, casos de roubos a pessoas e furtos em estabelecimentos) é o grande objectivo."O que mais incomoda os cidadãos nem sempre é a criminalidade mais organizada. É o pequeno crime, ligado à marginalidade e incivilidade, que tem efeitos mais imediatos", sustentou o subintendente Pedro Teles, reiterando que a intenção das novas formas de abordagem é reforçar a "confiança e credibilidade" junto da população. Assim como "reduzir os índices de insegurança".
A escolha da freguesia de Santo Ildefonso para o arranque do programa não foi feita ao acaso. "Trata-se de uma área heterogénea, com bastante comércio, escolas e população de idade", justificou Gomes Pereira, salientando ainda que têm sido registados casos de violência doméstica. A intenção da PSP é, no futuro, alargar este tipo de policiamento a mais zonas da Área Metropolitana do Porto.
Os agentes destacados são afectos às 7ª e 9ª Esquadras, que cobrem a Baixa do Porto. O sub-comissário Jorge Freitas, comandante da 9ª Esquadra e gestor do projecto agora implementado, explicou que os polícias tiveram formação específica para "o apoio a grupos de risco", tendo "competências técnicas para interagir com todas as vítimas". O mesmo responsável realçou que a missão dos polícias de proximidade não se limita à recepção das denúncias. A preocupação será igualmente analisar as origens dessas situações e "procurar soluções". As parcerias com escolas, juntas de freguesia e hospitais, entre outras instituições, inclusive de apoio a vítimas, será permanente.Gomes Pereira destacou, entretanto, que estas acções de proximidade serão "complementadas por todas as outras formas de policiamento" já implementadas pela PSP do Porto.
Polícias mais acessíveis até deixam número de telemóvel
Telemóvel disponível das 8 às 20 horas Os polícias de proximidade disponibilizam um número de telemóvel, que está acessível no período entre as 8 e as 20 horas. A PSP considera o horário suficiente, mas sublinha que pode ser alargado em "situações extremas".
Programa avaliado pela Universidade Nova
No âmbito de um protocolo entre a Direcção Nacional da PSP e a Universidade Nova de Lisboa, esta última instituição levará a cabo a monitorização do programa. Entre outras medidas, serão feitos inquéritos às populações abrangidas.