Estima-se que 30% da população geral corre risco de sofrer de perturbações psiquiátricas e aproximadamente 12% são perturbações psiquiátricas graves. Patologias que estão, desde ontem, em debate no Porto, no II Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, subordinado ao tema "A Clínica Psiquiátrica na Interface do Biológico e do Psicossocial".
De acordo com as últimas estimativas, em todo o Mundo, uma em cada quatro pessoas já sofreu ou sofrerá de depressão, que pode atingir cerca de 20% da população, tendendo a aumentar. "Esta patologia já é a primeira causa de incapacidade nos países desenvolvidos e segundo a Organização Mundial de Saúde é a quarta doença de saúde pública", lembrou o psiquiatra Pacheco Palha.
Este especialista sublinhou que a depressão "envolve a quebra de capacidades, entre elas a sexualidade, um tema muitas vezes relegado para segundo plano por médicos e psiquiatras".
Enquadrado no tema "Psiquiatria e Saúde Sexual", Pacheco Palha alertou para o facto de se desvalorizar esta questão, por exemplo "quais os direitos sexuais dos doentes crónicos, o seu comportamento geral afectivo", acrescentando que são questões sem respostas únicas e definitivas.
A depressão e a esquizofrenia (também em discussão no Congresso), são responsáveis por 60% dos suicídios. As esquizofrenia são das consultas e das urgências, as patologias mais frequentes, sendo a principal causa de internamento e a terceira nas consultas.
O psiquiatra Marques Teixeira sublinhou a multi-heterogeneidade da doença, o que dificulta o seu diagnóstico e tratamento, referindo que estes "estão longe de serem os mais adequados", daí, que seja uma prioridade "investigar novos tratamentos".
Nesse sentido, revelou que está em curso um "grande projecto com vista ao desenho de ensaios clínicos para avaliação dos efeitos de novas substâncias sobre os domínio cognitivos afectados", acrescentando que "estes avanços tiveram já um impacto muito importante, a esquizofrenia deixou de ser estudada por uma única disciplina e passou a ser abordada de modo interdisciplinar e integrativo".
O mesmo especialista abordou ainda o tema da "Psiquiatria Forense - uma responsabilidade individual, institucional e política". Colocou diferentes questões sobre quem recairia a responsabilidade, salientando que as dificuldades do sistema de cuidados psiquiátricos, o insuficiente apoio comunitário os recursos escassos, que podem significar que as pessoas que pedem hospitalização esta lhes seja negada, "podem ser uma mistura fatal".
Perturbação alimentar
As perturbações do comportamento alimentar, como a anorexia nervosa e a bulimia, têm aumentado por todo o mundo. A anorexia é a doença psiquiátrica com maior taxa de mortalidade, uma morte em cada dez casos. Tema também em debate no Congresso de Psiquiatria. São doenças graves com origem a interacção de factores psicológicos, biológicos, familiares e socioculturais. A anorexia e a bulimia nervosa afectam sobretudo mulheres jovens. A prevalência da anorexia ronda 1% da população em geral, 4% para mulheres entre os 18 e os 30 anos e cerca de 10% das mulheres podem sofrer desta patologia em algum momento da vida. Para fazer o diagnóstico é necessária a conjugação, no mesmo momento, de um determinado número de critérios , por exemplo, para a anorexia o índice de massa corporal estará abaixo dos 17,5, verifica-se uma alteração significativa da percepção do tamanho e forma corporais e ausência de, pelo menos, três ciclos menstruais seguidos.