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Uma feira para ajudar pessoas com diferença

Gina Pereira, João Girão

elo segundo ano consecutivo, a Feira Internacional de Lisboa (FIL), no Parque das Nações, abre as portas às instituições de solidariedade social e associações que trabalham com pessoas desfavorecidas e com deficiência. A "Natalis", feira de Natal e da solidariedade de Lisboa, abriu ontem à tarde e decorre até domingo, todos os dias entre as 14.30 e as 23 horas.

Organizada pela Associação Industrial Portuguesa, em colaboração com o pelouro da Acção Social da Câmara Municipal de Lisboa, esta iniciativa pretende dar a conhecer o trabalho destas instituições e, simultaneamente, contribuir para o seu funcionamento. Além da venda dos seus produtos, as instituições serão beneficiadas com as receitas de bilheteira do evento que, estima a organização, deverá ser visitado por cerca de 20 mil pessoas.

Este ano, graças à parceria com a autarquia, o número de associações presentes aumentou substancialmente 66, em vez das 15 que participaram no ano passado. A maioria encara esta feira como uma oportunidade de divulgar o seu trabalho e também de realizar algum dinheiro.

Embora participem habitualmente neste tipo de iniciativas - estiveram na feira de artesanato e turismo do Estoril, com "bons resultados" - esta é a primeira vez que a Fundação Liga (ex-Liga Portuguesa dos Deficientes Motores) está na "Natalis". Cristina Passos, coordenadora do Centro de Criatividade, Cultura e Desporto da Liga, diz que estes eventos "são sempre muito importantes" para os utentes porque "sentem que o seu trabalho é reconhecido pelo público em geral".

Decorações de Natal feitas em cerâmica, azulejos pintados à mão, trabalhos em arraiolos, cadernos de pasta de papel, postais e doces são apenas alguns dos trabalhos que trouxeram para vender. As expectativas são as melhores porque "a divulgação foi excelente", diz.

Com boas perspectivas está também a Cerci Lisboa, que se estreia na feira. A cooperativa de educação e reabilitação de cidadãos inadaptados trouxe muitos produtos feitos pelos seus utentes, desde ervas de chá produzidas nas instalações (cada pacote custa dois euros) a frascos de doces de frutas (também a dois euros) e enfeites de Natal feitos em tecido, a 50 cêntimos.

Elizabete Sousa e Mónica Santos, respectivamente técnica de reabilitação e psicóloga, consideram que "a feira tem coisas suficientemente interessantes para serem adquiridas" pelos visitantes e reforçam que, para quem as faz, "só o facto de estarem expostas já é muito bom".

O reforço da auto-estima dos utentes é uma das principais mais valias apontadas. Filomena Abraços, terapeuta ocupacional da Associação Portuguesa de Pais e Amigos de Cidadãos com Deficiência, explica que esta feira serve também para "desmistificar a ideia da incapacidade dos deficientes mentais". "São trabalhos com alguma qualidade", diz.

A diversidade e os preços "acessíveis" são vantagens apontadas por quem visita a feira e aproveita para fazer algumas compras de Natal. Ermelinda Coutinho, que já lá esteve no ano passado, mostrava-se satisfeita e registava com apreço o facto de estar maior. Além dos espaços dedicados às instituições, a feira conta também com a presença de mais de uma centena de expositores, nacionais e estrangeiros, que vendem desde artesanato, bijuterias e decorações de Natal.

Presente na inauguração, Sérgio Lipari Pinto, vereador da Acção Social da autarquia, explicou que este evento se insere na estratégia de desenvolver uma cultura de empreendedorismo social junto das instituições.

Experimentar andar em cadeira de rodas "À descoberta das dificuldades" é o nome da iniciativa que decorre esta tarde, organizada pelos "Médicos do Mundo" e pela associação "Nós rumo à cidadania". O objectivo é experimentar a sensação de viver com uma deficiência, andando numa cadeira de rodas e de olhos vendados.

Teatro, coros, capoeira e danças tradicionais

Todas as tardes, num palco instalado no pavilhão 1, haverá animação a cargo das associações. Teatro, ranchos folclóricos, fantoches, coros e danças tradicionais integram o programa. No dia 9, às 22 horas, haverá uma "derrocada de dominó", com bilhete à parte.

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