Bairro 6 de Maio faz rastreios ao HIV/Sida
Milene Matos Silva
Vários moradores do bairro 6 de Maio, na Venda Nova, Amadora, aproveitaram, ontem, a presença da unidade móvel do Centro de Aconselhamento e Detecção (CAD) Precoce do vírus da imunodeficiência humana (VIH) para efectuar rastreios gratuitos da doença e levar para casa preservativos. Embora não existam números concretos sobre a incidência da doença no bairro, maioritariamente habitado por imigrantes provenientes de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), todos conhecem alguém com sida.
Sara foi a primeira a querer realizar o teste. No bairro conhece três casos de pessoas portadoras da doença. Soube da vinda da carrinha através do Centro de Saúde da Venda Nova e não hesitou em contactar as técnicas que estavam no local. Não conseguia esconder o nervosismo e o receio de estar contaminada. Apesar de ter começado por afirmar que usa sempre o preservativo nas relações com o seu companheiro, a meio da conversa, a jovem de 21 anos, acabou por admitir que tem dúvidas, porque não sabe se ele lhe é fiel. Num bairro, onde as notícias correm depressa, a amiga que a acompanha diz "ela tem mesmo de fazer o teste".
Antes da carrinha com a equipa técnica, constituída por 3 psicólogas, uma enfermeira e um motorista, estacionar em frente ao Centro Social 6 de Maio, já tinha sido feito o trabalho de divulgação através do Centro de Saúde. Quem ali se dirigia já tinha informação sobre o que é o HIV/Sida. No entanto, "as pessoas continuam a ter comportamentos de risco, ou porque confiam no parceiro, ou porque, muitas vezes, as mulheres não conseguem negociar o uso do preservativo ", adianta Maria João Barros, coordenadora do CAD móvel.
A chuva e o frio não afastaram a população. Depois da Sara seguiram-se outros residentes do bairro, maioritariamente jovens mulheres, que efectuaram o teste à porta fechada. Em 10 minutos era conhecido o resultado, ainda que apenas fosse um indicador. No final todos levaram para casa preservativos e um aviso da psicóloga "é para usar sempre".
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