Os fatos para bombeiros e a roupa para o lar de fabrico português estão a ser exportados para os Estados Unidos e o Japão, respectivamente, apesar de estes países terem produção própria na área do vestuário e confecção.
O Japão e os Estados Unidos são dois dos mercados em que Portugal aposta para exportar os seus têxteis, mas a produção nacional está também a abrir portas na Coreia do Sul, Brasil, Rússia e China, revelaram associações do sector contactadas pela agência Lusa.
"O Japão e a Coreia não procuram produções em série, pois para isso têm a Indonésia, a Índia e a China, mas interessam-se por artigos de moda portugueses", afirmou Orlando Lopes da Cunha, presidente da Associação Nacional das Indúst rias de Vestuário e Confecção/Associação Portuguesa da Indústria de Vestuário (A NIVEC/APIV).
O país tem "empresas a trabalhar sob marca própria que começam a ser muito conceituadas na Rússia e no Japão" e "não precisa de aprender nada com os países estrangeiros, pois dá cartas quando se fala em produtos de qualidade superior", afirmou Orlando da Cunha.
António Amorim Alves, também da direcção da Associação Nacional das Ind ústrias de Vestuário e Confecção, assinalou, por sua vez, que "a Coreia do Sul e o Japão são mercados com apetência para comprar o que vem de fora, sobretudo os produtos de alta gama".
Apesar dessa abertura, "é preciso ter consciência de que, para entrar nesse mercado, é necessário adaptar as colecções nacionais, pois não se podem fazer imposições ao gosto dos japoneses", alertou António Amorim Alves.
O vestuário na área da segurança e a roupa assinada por estilistas são outras apostas para o exterior, explicou à agência Lusa Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), revelando que, nesse âmbito, estão a ser realizadas feiras e viagens promocionais na China, Rússia, Brasil e EUA.
"Para a Rússia e China, são exportados tecidos de algodão para camisaria e tecidos de lã para roupa masculina", revelou Paulo Almeida, enquanto no Bras il "a intenção é colocar à venda produtos de autor, nomeadamente dos estilistas Miguel Vieira e Ana Baldaque".
Quanto aos Estados Unidos, "têm mostrado interesse no vestuário técnico na área da segurança, caso dos fatos para bombeiros, roupa resistente às altas temperaturas, ou à prova de corte, ou até antibacteriana", informou o presidente da ATP. Um interesse que consolida a convicção da ANIVEC/APIV e da ATP de que " o sector têxtil português nasceu para exportar".