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Ascensão das mulheres marca viragem do milénio

Pedro Araújo

Os jovens (15-29 anos) passaram a constituir um quinto da população, quando há uma década eram um quarto. A taxa de desemprego quadruplicou, mas a sua presença na universidade duplicou. Casam-se e têm filhos mais tarde, divorciam-se mais rapidamente e a união de facto ganha terreno. A tuberculose atinge os 71% entre as doenças e os condenados triplicaram em 14 anos. Hoje, na Universidade do Minho, responsáveis governamentais marcarão presença na apresentação do estudo "A Condição Juvenil Portuguesa na Viragem do Milénio" e deverão anunciar medidas.

Vítor Ferreira, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e coordenador do estudo, concorda que a "pequena revolução feminina" sobressai da recolha estatística dos anos 1990 a 2005. Não havendo novidades absolutas, o manancial de dados de sete áreas (demografia, família, educação, emprego e desemprego, saúde e condutas de risco, sinistralidade, justiça) acaba por provar que a igualdade de sexos é quase uma realidade.

As raparigas tendem a permanecer por mais tempo no sistema educativo, sobretudo nos níveis mais elevados. Elas tendem a casar-se e assumir a maternidade mais cedo. Há mais empresárias e quadros de topo femininos.

Os rapazes, pelo contrário, tendem a abandonar precocemente os estudos, frequentemente sem concluir o 9.º ano de escolaridade. Logo, eles entram mais cedo no mundo do trabalho e encontram-se, segundo o estudo, "sobrerepresentados em fenómenos de delinquência, criminalidade, sinistralidade e condutas de risco, reflectindo-se, por exemplo, nas taxas de óbitos". Independentemente do género, a verdade é que os jovens estão diferentes. Já não podem contar com um emprego estável nem com um casamento duradouro. O retrato das habilitações é ainda desanimador - 35% dos jovens abandonam estudos sem o 9.º ano; 34% de chumbos no Secundário; 50% dos empregados (15-29 anos) não têm a escolaridade mínima obrigatória.

A Sida parece relativamente controlada, óbitos por ingestão de drogas diminuem e a sinistralidade - rodoviária, laboral, doméstica e no lazer - tende a decrescer. O consumos de tabaco e bebidas alcoólicas mantém-se estável.

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