Mulheres contam relatos de aborto
Alexandra Marques
Três norte-americanas que abortaram contaram, ontem, as suas histórias e como estão arrependidas de o ter feito. Na sequência dessa opção, tomaram drogas e álcool e tentaram suicidar-se, por terem vergonha e se sentirem culpadas. As três fizeram-no, pelo uma vez, por pressão do marido ou do namorado.
Numa sessão promovida pela Justice Foundation - com o apoio dos movimentos "Missão Vida" e "Juntos pela Vida", contrários à despenalização do aborto -, Norma McCorvey disse ser conhecida no seu país como "Jane Roe" por ter protagonizado o caso que resultou na liberalização do aborto nos EUA, em 1973.
"Os meus advogados não me disseram que ia ser parcialmente responsável pela destruição de 43 milhões de bebés e das suas vidas", afirmou. Tomou drogas e álcool, mas só teve consciência de que "é um crime contra a humanidade" depois de, em 1992, se tornar conselheira numa clínica de aborto. Finalmente, em 2000 encontrou Allan Parker, que mostrou os dois mil depoimentos de mulheres que abortaram e se arrependeram.
Rebecca Porter, da Flórida, fez o primeiro aborto aos 21 anos, porque já tinha um filho com seis meses. Fez outro 12 anos depois e um terceiro porque o namorado não queria a criança. Contou ter ouvido a enfermeira referir que eram gémeos e que parassem, mas era tarde de mais. Não mencionou a anestesia geral que é dada neste tipo de intervenção.
Myra Meyers, do Texas, disse ter abortado em 1973 por ser legal e o marido a ter induzido, não o tendo feito em 1965, quando era uma estudante universitária solteira. "Foi a pior decisão que tomámos".
Cynthia Collins, do Louisiana, tinha 19 anos e era caloira na universidade quando o fez. Já tinha um filho e um namorado que recusou ser pai. Teve cancro da mama, uma depressão e fez outros abortos que agora lamenta.
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