Gilberto Madail incomodado
Rui Farinha
Gilberto Madail, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), disse, ontem, ao JN, que não entende as declarações de Alípio Ribeiro, director nacional da Polícia Judiciária, ao jornal "Expresso". O director da PJ afirmou que os órgãos disciplinares e jurisdicionais do futebol português "não têm colaborado" no combate à alegada corrupção desportiva e acrescentou que os órgãos desportivos "não podem alijar, continuamente, as suas responsabilidades para a Polícia e para os tribunais". Pela parte que lhe toca, o presidente da Liga não quis comentar "O assunto é sério de mais para merecer comentários", afirmou Hermínio Loureiro. O presidente da FPF mostrou-se surpreendido e até incomodado com as frases de Alípio Ribeiro. "Não as entendo. Sempre colaborámos com as entidades judiciais assim que nos era pedido. Nunca pode ser dito que não colaborámos ou ajudámos", insistiu. Madail recusou, porém, divulgar que tipo de documentos foram entregues pela FPF à PJ ou a outras autoridades. E observou que a FPF não tem nem pode ter os meios mais eficazes para combater a alegada fraude no desporto.
À espera de um encontro
Ainda assim, Madail mostrou-se cauteloso, garantindo que irá falar, assim que puder, com o director da PJ. "Desejo conversar pessoalmente com Alípio Ribeiro sobre esta matéria. Fá-lo-ei logo que seja oportuno para ambas as partes", destacou.
Na verdade, deseja confirmar o contexto das declarações, não se cansando de reforçar a estranheza da situação. Até porque a entrevista aborda outros temas a prevenção de corrupção no futebol, a questão da presença de magistrados nos órgãos jurisdicionais desportivos e a incapacidade de vários clubes serem financeiramente viáveis sem o auxílio público das câmaras municipais. O que, na opinião da PJ, não é saudável para o futebol.
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