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Mostra inédita de Land Art no Parque da Lavandeira

Helena Teixeira da Silva, Fernando Oliveira

A ideia, de autoria do artista plástico Meireles de Pinho, nasceu há quatro anos "quando não havia intervenções de Land Art de grande envergadura em Portugal" nem, aparentemente, local para concretizá-las. O projecto, pioneiro no país e caucionado pelo Parque Biológico de Gaia, encontrou, finalmente, palco no Parque da Lavandeira (Gaia), que acolherá dez intervenções de doze artistas - dez portugueses e dois catalães.

O trabalho, que começou esta semana, devendo ficar concluído até ao fim do mês, acabará por degradar-se. Poderá perdurar nos jardins um ano; talvez menos. É esse o princípio de expressão da Land Art nunca saber quando poderá extinguir-se uma obra, que é de arte, mas que não usa outro recurso que não seja o da própria natureza, cumprindo um ciclo semelhante ao do ecossistema.

"A terra o deu; a terra o comeu", sintetiza Maria Domingues Araújo, directora do recinto, satisfeita com a possibilidade de poder, também, "desmistificar os artistas plásticos, supostamente intocáveis, desviando-os das galerias para o espaço público".

A exposição - "a primeira com espírito organizado", assegura Meireles de Pinto - deverá dar lugar a um evento bienal, que poderá ser acolhido em cidades diferentes, caso haja interessados. "A ideia não é andar a pulverizar os trabalhos, mas criar com um parceiro local, que trate da logística e de novas intervenções em cada edição, com novos artistas. Estes foram os primeiros aventureiros. Sabiam que nada tinham, a não ser condições para tornar tudo possível", sublinha a responsável. Tudo desde que o princípio basilar - "Usar a natureza, respeitando-a" - não fosse beliscado.

A equipa ceramista, constituída pelos portugueses Joaquim Pombal e Marisa Alves com os catalães Josep Mates e Carlets, imaginou um objecto que acabaria por dar lugar a outro. O que deveria ser um farol transformou-se, depois dos artistas terem "sentido o espaço", numa escultura de quase quatro metros de altura com utilidade biológica servirá de ninho para cavernícolas. A peça será cozida hoje durante o dia inteiro. A partir da meia-noite, os autores convidam a assistir ao "espectáculo incandescente" da operação.

Meireles de Pinho também substituiu o conceito inicial as árvores que usaria como suporte de espelhos para exercício de contemplação serão, afinal, uma metáfora sobre áreas reservadas. Parcialmente pintadas de amarelo, como as balizas das obras, serão uma representação simbólica: "reservar não significa não usar".

Quando a exposição cessar, restará o catálogo, a ser editado em Abril, a par de uma conferência com críticos, curadores e professores de Belas Artes.

Dez obras, doze artistas

Não estava previsto que integrassem a exposição, mas o contributo foi irrecusável. Os 20 deficientes que há 12 anos fazem parte do Parque Biológico de Gaia criaram eles próprios, a sua escultura, sob a tutoria de Fernando Saraiva. "Um ninho que representa uma espécie de colo, é o aconchego que encontraram aqui". O artista plástico assina quatro esculturas na mostra. Juntam-se Cristina Ataíde, Luís Pinheiro, Meireles de Pinho, Paulo Neves, João Castro Silva, Joaquim Pombal, Marisa Alves, Ângelo e Moisés Tomé, Josep Mates e Carlets.

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