Ciência receberá 1%
da riqueza nacional
"Até 2009, um por cento da riqueza nacional será investida na ciência", garantiu, ontem, o primeiro-ministro, no Instituto de Patologia e ImunologiaMolecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), a uma plateia de investigadores, acrescentando reconhecer a necessidade de estabilidade de políticas nesta área. José Sócrates deu esta garantia durante a apresentação do concurso internacional para a contratação de mil investigadores doutorados por instituições científicas portuguesas.
Os doutorados a contratar devem ter pelo menos três anos de experiência e serão contratados pelo prazo de cinco anos. A lista de instituições já seleccionadas e o número de lugares a concurso estão disponíveis no portal da Fundação para a Ciência e Tecnologia.
"Esta é uma das mais importantes medidas tomadas em Portugal para estimular e reforçar o nosso desenvolvimento científico, em condições de competitividade internacional e de transparência exemplares", afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
Mariano Gago salientou, ainda, que o "emprego científico nas melhores instituições científicas é um dos mais seguros indutores de crescimento da investigação e inovação empresariais".
O ministro referiu, por outro lado, a importância da revisão do estatuto de bolseiros de investigação e das carreiras docente e de investigação, que acrescentarão flexibilidade. Esta revisão permitirá uma mobilidade entre o sector público e empresarial de I&D, ou entre a docência e a investigação.
Uma mobilidade "já indispensável em Portugal", mas, acrescentou o governante, que "impõe o reforço de mecanismos institucionais de salvaguarda da ética profissional", situação há muito praticada noutros países.
José Sócrates, que repetiu o discurso feito na passada quarta-feira, aquando da assinatura do memorando com o instituto alemão Fraunhofer, sublinhou a importância da internacionalização da ciência e da restruturação das instituições, para "que a economia possa crescer baseada no conhecimento, como o que se passa aqui no IPATIMUP".
O elogio surgiu na sequência da apresentação de Sobrinho Simões, director do Instituto, que referiu que é necessário identificar os problemas em Portugal. "Um deles é a internacionalização, outro a transversalidade, que aqui está assegurada, uma vez que trabalhamos com a Faculdade de Medicina, com o IPO, com o Hospital de S. João, com o ICBAS e outros institutos nacionais e internacionais de investigação". Virgínia Alves
Cancro do estômago
O grupo "Cancer Genetics" do IPATIMUP identificou o gene responsável pelo cancro de estômago hereditário, a Caderina-E. Como para esta molécula já existem drogas disponíveis que inibem a sua activação, é possível pensar em alternativas terapêuticas que controlem este cancro.
Actualmente, e para responder a casos em que o desenvolvimento já não permite terapêuticas genéticas, este grupo, em colaboração com a Universidade Técnica de Munique, está a tentar identificar as moléculas que estão anormalmente activadas quando existem mutações da Caderina-E.
Os investigadores estão testar os seus avanços em modelos animais, com a colaboração de Fernando Casares, do IBMC, recorrendo à mosca do vinagre.