O Bloco de Esquerda (BE) de Lisboa considerou hoje uma "manobra de diversão", que impede o normal funcionamento da autarquia, o adiamento da audição do presidente da Câmara, a seu pedido, pelo Ministério Público no caso Bragaparques.
A audição do presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues (independente eleito pelo PSD), pelo Ministério Público no caso Bragaparques, prevista para quarta-feira, "foi adiada, por causa justificada, a pedido" do autarca, informou hoje o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, sem adiantar a data em que o eleito será ouvido.
Em reacção, a concelhia de Lisboa do BE entende, em comunicado, que "o tempo que Carmona Rodrigues pretende ganhar com esta manobra é tempo perdido para a resolução da crise na Câmara Municipal".
"Manobras de diversão desta natureza impedem o rápido esclarecimento dos processos judiciais em curso - que o próprio presidente já tinha reclamado - e a criação das condições políticas e institucionais que permitam um adequado funcionamento da autarquia", sustenta a mesma nota.
De acordo com o BE, a "crise" instalada "paralisa o funcionamento" da autarquia, comprometendo "a prestação de serviços indispensáveis à população", e causa "danos irreparáveis à credibilidade de uma das instituições mais importantes do país".
Os bloquistas defendem que caso o PSD opte pela sucessão de Carmona Rodrigues no cargo pela vice-presidente do município, Marina Ferreira, tal configurará "um golpe palaciano que subverte a legitimidade e democraticidade do actual executivo e não resolve nenhum dos problemas criados por esta maioria".
Segundo o BE, Marina Ferreira "é tão responsável pela situação da cidade e da autarquia como a restante vereação" social-democrata.
O Bloco de Esquerda reitera a necessidade da realização de eleições intercalares na Câmara, como forma de "assegurar o normal funcionamento de uma instituição indispensável à vida de todos os lisboetas".
Uma nota da distrital de Lisboa do PSD, divulgada sexta-feira, indicava que a audição do presidente da autarquia, como arguido no processo Bragaparques, iria acontecer quarta-feira.
Uma fonte judicial disse na sexta-feira à Lusa que Carmona Rodrigues, quando for ouvido pelo Ministério Público, deverá ser confrontado com factos que indiciam prevaricação e participação económica em negócio.