"Situação do Porto dói-me na alma"
João Paulo Madeira
Nasceu no Porto mas saiu aos 23 anos, recém-licenciado pela Faculdade de Economia da cidade, para agarrar uma oportunidade de emprego que na região nunca conseguiria ter. Esteve os 25 anos seguintes fora do país, a construir uma carreira de gestor, que culminou na presidência executiva da Liberty Seguros Portugal, função que agora exerce.
José António de Sousa trabalha em Lisboa e não esconde "a dor na alma" que lhe causa ver "o estado de degradação" a que chegou o Porto. Com os políticos e agentes económicos da região, não tem complacência.
"É uma mistura explosiva de alguma parolice e falta de visão empresarial com bairrismo político e futebolístico", acusa o gestor, alegando que houve uma utilização má ou abusiva dos fundos comunitários ao longo de anos, quando as verbas deveriam ter trazido melhorias.
Apesar de tudo, mantém laços familiares e de amizade com a região. "O meu amor pelo Porto morre comigo e portanto é obvio que voltarei ao Porto, mais não seja quando estiver reformado". Isto porque trabalhar na cidade está fora de questão: "Onde estão as posições executivas de topo, os empregos interessantes, os centros de decisão? Cada vez mais em Lisboa. Por culpa não de Lisboa, mas daqueles que permitiram que isto acontecesse ao Porto", afirma.
A solução está em mais capacidade de visão, legislação apropriada, determinação no cumprimento dos planos estratégicos, no fim da "corrupção e os compadrios". E "formação, muita formação. Enquanto não nascer uma classe de políticos verdadeiramente orientados para fazer, em vez de lamuriar-se com o centralismo, o Norte não sairá daquilo em que o transformaram".
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