N a 30.ª edição do FITEI, Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica - que decorrerá a partir do dia 24 e se estende até 6 de Junho no Porto - , "há a intenção clara de o fazer o mais abrangente possível", conforme explicou ontem Mário Moutinho, director artístico do certame, durante a apresentação da programação.
Depois de na edição do ano passado o FITEI ter sido visto por 15 mil pessoas (26% do público assistiu ao festival pela primeira vez), e dado o "rejuvenescimento da plateia", houve uma necessidade de criar uma programação o mais homogénea possível, que não contemplasse só "grandes textos, mas também dramaturgias contemporâneas, teatro de rua, artes digitais e até dança".
Da programação oficial - que conta com a participação de companhias, artistas e escolas de Portugal, Espanha, Cuba, Brasil, Moçambique e França - destaca-se o espectáculo de encerramento , no dia 6 de Junho, à meia-noite, pela companhia francesa Plasticiens Volants.
"'A 8.ª maravilha' é um espectáculo de rua feito com insufláveis gigantes, no qual a cultura mediterrânea é a protagonista". Com um percurso que tem início na Praça D. João I, passando pela Avenida dos Aliados, Praça da Liberdade e Praça General Humberto Delgado, "um génio prisioneiro da modernidade dentro de um telemóvel, deve convencer alguém a descobrir a 8ª maravilha do mundo percorrendo, para isso, o caminho que conduz às outras sete maravilhas".
Outra das novidades do FITEI - com um orçamento "ligeiramente inferior ao do ano passado que foi de 250 mil euros" - passa pela colaboração com o Teatro D. Maria II, estando previstas as apresentações das peças "A filha rebelde" (dias 5 e 6 de Junho, às 21.30 horas, no Teatro S. João) e "Vermelho transparente" (dia 27, às 22 horas, no Teatro do Campo Alegre).
O director artístico do festival destacou, entre outros, "o trabalho notável" da actriz Maria João Luís no monólogo "Stabat Mater" (dia 31 e dia 1 de Junho, às 21.30 horas, Teatro S. João) e "O cerejal", última criação de Anton Tchekhov, que conta com uma nova produção dos Ensemble (dia 25 e 26, às 21.30 e 18 horas respectivamente, no Teatro Carlos Alberto).
"De mochila às costas"
Dada a impossibilidade do "núcleo central" do FITEI se concentrar este ano no Rivoli, Mário Moutinho afirmou "É um teatro municipal que não está a cumprir o seu dever". Três décadas depois do início do FITEI, o transtorno principal passa, por isso, por ser "organizativo". E conclui: "Andamos sempre de mochila às costas".