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Abre hoje laboratório químico recuperado na traça do século XIX

Telma Roque

Com um bocadinho de imaginação quase que dá para ver grandes químicos como Agostinho Vicente Lourenço, José Júlio Rodrigues ou António Augusto de Aguiar trajados com batas brancas, rodeados de tubos de ensaio fumegantes em experiências ultra-secretas ou a ensinar os aprendizes da época no laboratório químico da antiga Escola Politécnica. O espaço, que esteve ligado ao ensino e à investigação durante um século e meio, reabre hoje as portas, agora em forma de museu, tal como o anfiteatro contíguo, no âmbito de um projecto mais vasto orçado em mais de um milhão de euros.

A ambição de musealizar as instalações de química da Escola Politécnica remontava a 1985. O grande incêndio que afectou o edificado em 1978 não deitou o sonho por terra, já que a ala de química foi salva pelos bombeiros. Porém, a Faculdade de Ciências, que ali se tinha entretanto instalado, começou progressivamente a abandonar o espaço.

O laboratório deixou de ser utilizado há cerca de dez anos. Arrancou então uma minuciosa tarefa de pesquisa, de investigação para que "o trabalho final tivesse rigor científico", como explicou ao JN Ana Eiró, responsável pelo museu. A par da pesquisa, resgataram-se dos sótãos e das catacumbas milhares de peças que estavam empacotadas e empilhadas. Foi ainda necessário restaurar, no laboratório e anfiteatro, madeiras, metais e instrumentos utilizados nas aulas. Só o piso de madeira e a iluminação pertencem ao século XXI.

A inauguração marcada para hoje é apenas uma etapa de um projecto mais vasto que prevê a musealização de uma área total de 800 metros quadrados. Ana Eiró revela que até ao final do ano deverá abrir uma sala para exposições temporárias, para mostrar a colecção de química, que tem mais de três mil peças.

A universidade conta ainda abrir oficinas pedagógicas para dinamizar actividades de química, inaugurar o "laboratório da memória", para dar a conhecer a história da recuperação deste espaço, e abrir duas reservas, uma visitável e outra privada para guardar têxteis e papéis.

Universidade de Lisboa, de Évora e Nova de Lisboa trabalharam em parceria na musealização destes espaços. O investimento partiu da Universidade de Lisboa, Programa Operacional de Cultura e de vários privados, entre os quais a Apifarma.

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