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Galp investe 50 milhões na refinaria de Matosinhos

Ricardo David Lopes

A Galp Energia vai investir este ano 50 milhões de euros na ampliação da refinaria de Matosinhos para produzir biodiesel e prevê investir 180 a 200 milhões na construção de uma unidade em Sines para o mesmo efeito, anunciou o presidente da petrolífera, ontem. Ferreira de Oliveira falava numa conferência de Imprensa com o presidente da Petrobrás, após a assinatura de um acordo para a formação de uma parceria entre as duas empresas na área dos biocombustíveis.

O objectivo da Galp é produzir 600 mil toneladas de biodiesel de segunda geração - que incorpora até 100% de material biológico -, metade das quais para consumo nacional, garantindo assim as metas do Governo. Na área dos biocombustíveis, recorde-se, o objectivo é que, em 2012, 10% dos combustíveis sejam bio.

A parceria com a Petrobrás, explicou, "tem como objectivo último assegurar metade das nossas necessidades", ou 300 mil toneladas, destinando-se o restante a exportação. A matéria-prima (getropa e óleo de palma) deverá vir essencialmente do Brasil, mas Ferreira de Oliveira reiterou o interesse em olhar também para Angola e Moçambique como fornecedores. O cultivo da matéria-prima em Portugal deverá ser residual, pois para assegurar as quantidades necessárias terão de ser cultivados 400 a 800 mil hectares de terreno, "muito em Portugal, pouco no Brasil". O clima nacional, disse, também não favorece a produção destas matérias-primas, o que obrigaria a apoios e incentivos do Estado.

As duas empresas vão agora estudar oportunidades de negócio nesta área, admitindo criar uma empresa conjunta que o presidente da Galp disse ambicionar que venha a ser "das melhores do Mundo". O líder da Petrobrás, Sérgio Azevedo, disse que a parceria pode ajudar a empresa brasileira a potenciar as exportações de biodiesel para a Europa, mercado dominado pela Alemanha. A Petrobrás está a construir três refinarias de biodiesel que estarão prontas no fim do ano.

Na construção da parceria, disse o brasileiro, as empresas vão analisar toda a cadeia de valor, das sementeiras à refinação e distribuição, e ver de que modo podem partilhar negócios. "Começamos com numa folha em branco", afirmou, adiantando esperar ter um modelo de negócio definido "nos próximos meses".

De manhã, Galp e Petrobrás e Partex assinaram com o Estado português, representado por Manuel Pinho, um acordo de concessão da prospecção e exploração de petróleo de uma área em alto mar que se estende da bacia de Peniche a Aveiro. O projecto implica um investimento de 22 a 37 milhões de euros na fase inicial de estudos sísmicos, a que se juntarão 150 a 220 milhões para fazer perfurações nos blocos onde houver indícios de petróleo. A construção de uma plataforma - fase a que apenas se chegará dentro de oito a dez anos, se houver jazidas comercialmente viáveis - poderá custar entre 1,5 mil e 2,2 mil milhões de euros.

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