Creamfields electrizou a noite
Cristiano Pereira
Cerca de 35 mil pessoas passaram pela Quinta da Bela Vista na noite de sábado para domingo. Nesse aspecto, a primeira edição do Cremfields em Lisboa foi um êxito.
Todavia, importa assinalar que a organização falhou redondamente no que diz respeito à quantidade de bares para o público. Apenas dois stands de fast food e nove bares foram manifestamente insuficientes para atender semelhante quantidade de gente. As filas nas roulotes dos cachorros eram impressionantes e muitos foram aqueles que desesperaram com o facto de perderem horas só para conseguirem comprar uma sandwiche. A quantidade de casas de banho também falhou. Nunca tal se viu. E, neste aspecto, a organização do Creamfields tem muito para aprender com o Rock In Rio ou qualquer outro festival.
Musicalmente falando dir-se-á que não houve grandes decepções apesar de muitos terem considerado o concerto dos Placebo pouco entusiasmante e demasiado curto.
Mais tarde, os Prodigy cumpriram aquilo que deles se esperava festa rija com picos de intensidade nos êxitos mais antigos. A jogar em casa, os Da Weasel não tiveram qualquer problema em segurar a assistência desde o primeiro minuto. No palco reggae, destacou-se Max Romeo. O veterano jamaicano desencadeou delírio quando interpretou o famoso hit "War Ina Babylon" cruzado com "Give Peace a Chance".
Apesar da progamação do Creamfields privilegiar a electrónica e o reggae, convém frisar que um dos melhores momentos de todo o dia residiu na demolidora actuação dos portugueses The Vicious Five, provavelmente uma das melhores bandas que o rock português conheceu nos últimos anos. Joaquim Albergaria, o vocalista, pediu desculpas à malta pelo facto de não se apresentarem com DJ - uma pequena provocação à tribo da música electrónica que dominava grande parte do recinto. Os Vicious Five são um caso sério de rock'n'roll. Fazem parte daquele restrito número de bandas que transpiram autenticidade e estilo para além de libertarem uma electricidade contagiante e altamente viciante.
Poucas horas depois, no mesmo palco, os Wray Gunn também brilharam.
A música prosseguiu até pouco depois das 6 da manhã. Só foi pena a enchente ser visível um pouco por todo o lado e abundarem filas para tudo. Entrar na Giant Sphere, por exemplo, só estava ao alcance das almas mais pacientes. O mesmo se aplica para a tenda "Silent Club".
Apesar de tudo, dir-se-á que o saldo do festival foi positivo mas importar corrigir graves lacunas em futuras edições.
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