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Onze jardins feitos de lixo

Ana Peixoto Fernandes, Pedro Correia

Sabia que com uma garrafa de plástico (das de 1,5 litros de água) cortada a meio se pode criar um vaso que resulta no habitat ideal para plantar carvalhos ou que com paletes em fim de vida podem ser construídos pavimentos, bancos de jardim ou um artefacto para estacionar bicicletas? Ou então que com restos de cartão exclusivamente se pode inventar uma espécie de jardim infantil colorido, fazer esculturas de pessoas em tamanho real, e que do lixo se pode gerar vida vegetal? E ainda que existem plantas, como os girassóis, que têm capacidade de purificar o ar e a terra, erradicando a poluição, ou que os caixotes do lixo podem ser transformados em bonitas floreiras?

Pois tudo isto se pode aprender no III Festival Internacional de Jardins que hoje será inaugurado em Ponte de Lima, com onze jardins inspirados no tema "O lixo na arte dos jardins". São projectos originais, três dos quais estrangeiros (dois franceses e um austríaco), seleccionados entre 39 concorrentes, que misturam plantas, em grande parte aromáticas - o que também funciona como disfarce para qualquer eventual cheiro a lixo que possam exalar os jardins - com todo o tipo de detritos. O espaço, que ficará instalado nas margens do rio Lima até 30 de Outubro, apresenta-se como um verdadeiro poço de saber na arte de reciclar.

"Este ano o festival tem um cariz pedagógico muito grande com a utilização de materiais reciclados como o plástico, por exemplo, que leva 400 anos a degradar. Em vez de fazermos bancos ou papeleiras com materiais que precisam ser tratados, como a madeira que obrigam ao derrube de árvores, porque não usar plástico reciclado? Ou usar embalagens de plástico trituradas para fazer pisos? ", explicou ao JN, a coordenadora do Festival de Jardins de Ponte de Lima, Eva Barbosa, acrescentando "Há tanta coisa que uma pessoa nem imagina, mas que pode reutilizar nos jardins. Nos jardins e não só, em qualquer outra situação".

A partir de hoje o III Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima mostrará, entre outros, um "Jardim das Avestruzes", que mostra aquela ave com a cabeça enterrada na areia rodeado de caixas de produtos tóxicos e perigosos e árvores plantadas ao contrário, ou o "Homem que plantava árvores", onde dezenas de carvalhos bebé crescem no seu habitat natural em metades de garrafas de plástico com o gargalo enterrado no solo, ao lado de um cacto gigante feito também de garrafas de água verdes e um poste de madeira. Um dos mais curiosos será o "Era uma casa…", que representa uma habitação sem paredes.

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