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Teatro em Guimarães

Joaquim Forte

Teatro em Guimarães

ABarraca, Artistas Unidos e Teatro Assédio são alguns dos grupos que participam no Festival de Teatro de Gil Vicente, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, de 7 a 16 de Junho. A edição deste ano, apresentada ontem, abre com "Burgher King Lear", a partir de "King Lear", de Shakespeare, texto que João Garcia Miguel "traduziu e esquartejou" para criar uma versão bilingue para dois actores, um australiano e um português, como se fosse um hambúrguer. O australiano Anton Skrzypiciel interpreta Lear e representa o texto original, em Inglês. Miguel Borges veste dez personagens, incluindo as três filhas de Lear, numa tradução livre para Português.

No dia 8, "A herança maldita", com Maria do Céu Guerra. A Barraca de volta à comédia negra de Augusto Boal, num "retrato do neoliberalismo" e da globalização a partir da confusão das partilhas numa família (mãe, filhos e nora), "que faz rir e pensar". No dia 9, "Homem-legenda", stand-up comedy refinada (projecto Barba Azul), espectáculo com um homem e uma legenda, numa criação de Pedro Gil, com voz de Pedro Carmo. A 14, "À manhã", pelo Teatro Meridional, peça-reflexão sobre a esperança e a vontade diária de construir o futuro, passada numa aldeia envelhecida do Sul de Portugal, com texto original de José Luís Peixoto e encenação de Natália Luíza e Miguel Seabra. A 15, "O corte", pelo Teatro Assédio, a partir do texto do dramaturgo britânico Mark Ravenhill. Peça sobre o carácter precário das instituições e da consanguinidade.

Fecha a 16, com "Stabat mater" (Artistas Unidos) a partir de texto de António Tarantino, "um dos mais apaixonantes casos da dramaturgia contemporânea, que sabe unir o sagrado ao profano, o santo ao pecado, a raiva à inocência", segundo o encenador Jorge Silva Melo. Peça para a actriz Maria João Luís, no papel de ex-prostituta mergulhada na miséria e cheia de ódio contra a sociedade, em busca do filho desaparecido.

A qualidade e a diversidade foram os critérios que estiveram na base da programação dos festivais, como sintetizou a vereadora da Cultura da Câmara de Guimarães, Francisca Abreu. Assentes numa programação exclusivamente nacional, pretendem uma divulgação de propostas teatrais contemporâneas, segundo a organização - cooperativa A Oficina, Câmara de Guimarães e Círculo de Arte e Recreio.

A edição deste ano inclui uma oficina de formação para o público em geral - para combater o "défice de formação artística" apontado pela organização -, orientada por Rosa Quiroga e João Cardoso (Teatro Assédio). Estão previstas conversas entre encenadores/ /actores e o público, no final dos espectáculos (Miguel Seabra, João Cardoso, João Garcia Miguel e Pedro Gil), "com o objectivo de criar novas sinergias à volta do festival e criar um espaço de reflexão".

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