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Gasolina e gasóleo retomam onda de escalada nos preços

Teresa Costa

O preço da gasolina de 95 octanas subiu 6,5% desde o início do ano e o do gasóleo aumentou 5,2%, seguindo a tendência crescente iniciada em Dezembro. Os combustíveis estão agora tão caros como no último Verão, de acordo com os valores médios apurados pela Direcção-Geral de Energia (DGE) na semana de 25 de Maio.

A gasolina avançou para 1,374 euros por litro, um preço idêntico ao registado em Agosto do ano passado, e o gasóleo elevou-se para 1,056 euros, como em Setembro. Desde esses meses até agora, os preços caíram até Novembro, altura em que começaram a aumentar.

Em Espanha, ocorreu uma evolução semelhante, com os combustíveis a atingirem em Maio os valores mais altos do ano. Apesar de as subidas terem sido superiores às de Portugal, os preços continuam tentadores do outro lado da fronteira.

A diferença é mais evidente na gasolina, com a espanhola a aumentar 13% desde Janeiro, e a custar agora 1,096 euros (menos 0,278 euros do que por cá). No gasóleo, a progressão foi menos expressiva (5,9%) e está à venda por 0,963 euros.

Para o trajecto dos preços seguido nos dois países foi determinante a cotação do barril de petróleo nos mercados internacionais, sobretudo na praça londrina, que serve de referência para a Europa. Desde Janeiro, o Brent subiu 25%, e teve em Maio uma cotação de 67,25 dólares/barril, superior à média de todo o ano de 2006, que foi de 65,14 dólares.

Analistas citados ontem pela France Presse sustentavam que o mercado continua preocupado com a procura mundial de petróleo, que permanece robusta face aos stocks. Outros alertavam para o início da época dos tufões no Golfo do México, podendo causar problemas de abastecimento e mais aumentos.

Menos consumo

A subida do preço dos combustíveis verificada no país foi acompanhada, pelo menos nos três primeiros meses do ano, por uma queda no consumo.

O recuo mais significativo deu-se no gasóleo rodoviário (menos 2,8% em Março face a igual período de 2006), embora a gasolina de 95 também tenha tido um decréscimo, mas mais ligeiro, de apenas 1,8%. De acordo com a DGE, no período em análise, só o gasóleo para a aviação teve um aumento nas vendas, na ordem dos 6%.

De Janeiro a Maio, quando os combustíveis se tornaram mais caros, houve também uma retracção no mercado automóvel, com uma queda global nas vendas de 1,4%, segundo dados da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP).

Os recuos deram-se em todos os segmentos de automóveis, em especial nos veículos pesados, onde a diminuição foi de 13,2%. Os veículos comerciais ligeiros foram a única excepção, com um aumento de 8,2% nas vendas. Neste caso, a ACAP relaciona a subida com a antecipação da procura "face aos esperados aumentos" do futuro Imposto Automóvel, em vigor a 1 de Julho.

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